sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ibope aponta vitória de Wagner no 1º turno



Para o governo do Estado da Bahia, o candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT), venceria no primeiro turno se as eleições fossem realizadas hoje, segundo pesquisa Ibope desta sexta-feira (10). O petista permaneceu com 49%, seguido de Paulo Souto que caiu de 18% para 15%.

A pesquisa ouviu 1.512 eleitores entre os dias 07 e 09 de setembro e possui margem de erro de três pontos percentuais. Ainda de acordo com o Ibope, 7% do eleitorado baiano deve votar em branco ou anular o voto, enquanto 16% estão indecisos.

Governador Percentual

Jaques Wagner (PT) 49%

Paulo Souto (DEM) 15%

Geddel Vieira Lima (PMDB) 12%

Bassuma (PV) 1%

Marcos Mendes (PSOL) 1%

Indecisos 16%

Brancos e nulos  7%

Senado

A pesquisa Ibope para o Senado mostra o senador César Borges (PR), candidato à reeleição, com 29% das intenções de voto, seguido de Walter Pinheiro (PT), com 27%, e Lídice da Mata (PSB), com 26%. Em seguida, vieram José Ronado (DEM) com 14% e Edvaldo Brito (PTB) com 7%. Os indecisos são 16% e 15% do eleitorado votaria em branco ou nulo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Verdadeiro objetivo da onda de supostos “dossiês” e “vazamentos” é entorpecer a população, fazendo-a desinteressar-se pelo livro-bomba que vem aí

Serra testa “vacina-dossiê” contra livro sobre privataria tucana



Na terça-feira (31/08), o candidato tucano à presidência da República, José Serra, cometeu um ato falho e deixou escapar o que está por trás de toda esta onda que a oposição e a mídia tentam criar em torno da suposta quebra de sigilo fiscal de lideranças tucanas. Ao mencionar o nome do jornalista Amauri Ribeiro Jr, que escreveu um livro com informações bombásticas que provam a relação dos tucanos com corrupção, Serra deu a senha da estratégia oposicionista.

Ficou patente que todo o trololó sobre dossiês é, na verdade, uma forma desesperada do tucanato de vacinar a opinião pública contra as informações estarrecedoras que serão reveladas pelo livro de Amauri.

Segundo informação publicada pelo blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, o jornalista Amauri Ribeiro Jr. já acertou com a Editora Record a publicação do livro para o ano que vem, bem depois das eleições. A idéia inicial do jornalista era lançar o livro em capítulos, pela internet, logo após a Copa do Mundo. Mas a Record decidiu bancar a publicação impressa e pediu ao jornalista que adiasse o lançamento para que não houvesse acusações de uso eleitoral.

A obra, intitulada “Os Porões da Privataria”, é nitroglicerina pura prestes a explodir no colo do tucanato. Segundo o próprio autor, o livro vai provocar um terremoto “em metade da Antiga República”. “É o resultado de dez anos de trabalho de Amauri. Vai lá atrás, à privatização do Fernando Henrique. Conta como o Ministro da Saúde José Serra contratou um serviço de inteligência sob a responsabilidade de Marcelo Lunus Itagiba para pegar adversários políticos (inclusive do partido dele). Conta como se mandava para o exterior dinheiro recebido com a privatização”, revela Amorim.

“A segunda parte do livro será para contar como o livro de Amauri entrou para o centro de um suposto dossiê que o PT armava contra o Serra”, diz o titular do Conversa Afiada.

Ao contrário do que Serra e seus aliados da mídia tentam espalhar, o livro não é um “falso dossiê”, é reportagem do melhor tipo: baseada em fatos comprovados e em documentos oficiais e de fé pública.

Alguns personagens abordados no livro são os mesmos que supostamente tiveram o sigilo quebrado por funcionários da Receita Federal. Como Ricardo Sergio, Mendonça de Barros e Gregório Marin Preciado. Por isso, a tentativa da campanha tucano-midiática de ligar a quebra de sigilo fiscal das lideranças do PSDB a uma suposta “fábrica” de dossiês comandada por petistas. Mas, segundo interlocutores de Amauri, não há qualquer relação entre o episódio da Receita e o conteúdo do livro.

Amauri mostra, pela primeira vez, a prova concreta de como, quanto e onde Ricardo Sergio recebeu pela privatização. Num outro documento, aparece o ex-sócio de Serra e primo de Serra, Gregório Marin Preciado no ato de pagar mais de US$ 10 milhões a uma empresa de Ricardo Sergio.
Daniel Dantas
As relações entre o genro de Serra e o banqueiro Daniel Dantas estão esmiuçadas de forma exaustiva nos documentos a que Amauri teve acesso. O escritório de lavagem de dinheiro Citco Building, nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal, abrigava a conta de todo o alto tucanato que participou da privataria.

Serra apela para o “pega-ladrão”


Levante a cabeça Serra! Quer escondê-la de quem?
Para já ir “vacinando” a opinião pública contra as revelações bombásticas do livro, Serra trata, desde já, de tocar no assunto. Na terça-feira (31/08), em visita ao bairro de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, ele repercutiu as declarações de sua adversária do PT, Dilma Rousseff, que afirmou que o PSDB tem histórico de vazamento de grampos. “Na verdade, o PT está seguindo a estratégia de sempre: as vítimas são culpadas”, afirmou Serra. “Isso é jogo de campanha. E aí, faz a estratégica do ‘pega-ladrão’: o sujeito bate a carteira de alguém, enfia ela no bolso e sai gritando: pega-ladrão, pega-ladrão…”, comparou.

“Tudo o que foi feito foi para o proveito da campanha dela, organizado pela campanha dela. Aquele dossiê sujo que estavam preparando com aquele Amauri (Ribeiro) e aquela gente organizada pelo Fernando Pimentel já tinham os dados da quebra de sigilo”, afirmou o presidenciável.
Sem comentários


Mais tarde, em entrevista ao Jornal da Globo, Serra voltou a introduzir o assunto. Fugindo de uma pergunta sobre o “mensalão” do DEM, Serra fez uma “acusação” enfática contra a campanha de Dilma. “Hoje veio a público um fato criminoso. O sigilo fiscal de minha filha foi quebrado para efeitos políticos e eleitorais”, afirmou Serra, acusando pessoalmente a candidata petista pelo suposto ilícito.

O tucano disse ainda que a campanha da concorrente petista usa “filha dos outros” para ganhar a eleição. “Usar a filha dos outros para ganhar eleição. Agora a turma da Dilma está fazendo isso. Só vi o Collor usar uma filha de Lula para fazer algo parecido. Collor, hoje, está com Dilma. Vai ver transferiu a tecnologia. Se eles fazem isso na campanha de Dilma, imaginem se ganhassem a eleição”, esbravejou Serra, em referência ao pleito presidencial de 1989.

Quando questionado sobre a versão da Receita, que informou que os dados foram acessados a pedido da própria filha de Serra, o tucano chamou a versão de “mentira descarada”. “Mentira descarada. Minha filha não pediu (o acesso às declarações de IR). São profissionais na mentira. Este caso é gravíssimo. Jogo sujo, baixo”, afirmou, em tom mais agressivo.



A Receita afirmou, através de sua assessoria, que tem documentos que comprovam que não houve acesso ilegal aos dados fiscais da filha de Serra. E a campanha de Dilma nunca citou o nome de Verônica Serra em nenhuma instância e em nenhum momento da campanha, o que torna a “acusação” de Serra exagerada e sem fundamento. Aos olhos dos eleitores mais atentos, a insistência neste assunto pode soar como sinal de desespero da campanha tucana.

Corregedoria da Receita entrega documento ao MP

Ainda na terça-feira (31/08), a Corregedoria da Receita Federal apresentou ao Ministério Público a representação criminal sobre o suposto acesso ilegal aos dados sigilosos dos líderes tucanos e de outras 140 pessoas sem ligações com a política.

Em cinco páginas, o documento da comissão que investiga o caso aponta apenas a “existência de conduta que, em tese, poderia configurar prática de crime comum pelas servidoras”. A Receita informa que essa representação “não interfere no julgamento do mérito” e diz que ainda não há “convicção quanto à efetiva ocorrência de ilícito administrativo”.

A corregedoria pede que o Ministério Público adote as “providências que entenda cabíveis” contra as servidoras Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves e Adeildda Ferreira dos Santos. Antônia é a dona da senha usada para acessar os dados no dia 8 de outubro de 2009. Adeildda é a responsável pelo computador utilizado para a consulta às informações fiscais dos contribuintes ligados ao alto comando do PSDB. A ação é assinada por Levi Lopez, servidor que preside a comissão de inquérito. Segundo ele, a responsabilidade penal independe da apuração administrativa.

Em sua defesa, Adeildda negou, em entrevista à Folha, responsabilidade na violação dos dados. Ela afirma que colegas da agência de Mauá (SP) da Receita usavam o seu computador e que a senha de acesso ao sistema era “socializada”. E diz que cometeu um erro. “Como servidora, deveria ter sido mais cuidadosa”. Adeildda afirmou que o terminal pode ter sido usado por alguém com má-fé.


Integrantes da Máfia da Privataria

sábado, 4 de setembro de 2010

História de Lula é maior do que a de Gandhi, diz ator intérprete de pacifista indiano


O ator britânico Ben Kingsley considera que a história de vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi maior do que Mahatma Gandhi, que liderou a independência da Índia do domínio britânico e reconhecido como um dos maiores pacifistas da história.

A declaração foi dada após o ator assistir à exibição do filme "Lula, o Filho do Brasil" em Londres nesta semana. "Esse filme é importante para o mundo todo. A história dele [Lula] é maior que a de Gandhi", disse.

Kingsley interpretou o próprio pacifista indiano no filme "Gandhi". A atuação lhe rendeu o Oscar de melhor ator em 1982.

NOSTALGIA À PARTE, O TREM CONTINUA SENDO O SÍMBOLO DO PROGRESSO

Norte Fluminense: da Maria Fumaça ao VLT - Veículo Leve sobre Trilhos


POR SIDNEY MORGADO



A costa brasileira se estende por 7.408 quilômetros, desde o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, ao Cabo Orange, no Amapá. A ferrovia que liga Moscou, capital da Rússia, à cidade de Vladivostok, com o nome de Transiberiana, já no Pacífico, é um pouco mais longa, são 9.259 quilômetros, construídos em fins do século 19. Já em 1891 o Czar Nicolau e a Imperatriz Alexandra fizeram a viagem da costa do Pacífico, de Vladivostok de volta a Moscou, estratégica cidade no cenário mundial, que de trem se pode viajar para várias cidades, não só na Europa, como na Ásia, percorrendo-se até se 7.867 quilômetros (Moscou a Beijing), como também se pode ir de trem a outras capitais asiáticas.

Nosso país tem dimensões continentais, mas viajar de trem no Brasil não é tarefa fácil, e quando existe é para transportar minério de ferro, pois linhas de trens de passageiros são pouquíssimas e raras. O curioso é que já foram mais comuns. Houve uma época em que famílias passavam o verão em Petrópolis e o transporte era o tradicional trem da companhia inglesa Leopoldina Railway. Todo o equipamento era importado, tudo britânico, desde trilhos e vagões, até a pá do carvoeiro, mais as imponentes locomotivas.

Da mesma, serviam-se os riostrenses, os macaenses, os quissamaenses e os campistas, entre tantos outros cidadãos do Norte Fluminense, quando tomavam o trem na estação da Leopoldina, no Rio, ou mesmo, em Niterói direto até as suas cidades. Quem não se lembra do expresso, do rápido ou do trem noturno, e os da serra que saiam do entroncamento, da estação de Conde de Araruama em direção a Conceição de Macabu, Trajano ou a Madalena.


Outras viagens de trem, como, de São Paulo a Santos, e a Belo Horizonte, ou ainda, a Caxambu, eram sempre de trem. Estradas na época não tinham pavimentação, ou com o chamado macadame. Ônibus interestaduais não existiam. Viagem longa só podia ser de trem ou pelo mar, os clássicos navios da Costeira todos batizados com ita.

Mais recente, viagem de trem, somente de São Paulo ao Rio, por volta da década de 80, no aclamado Trem de Prata da Estrada de Ferro Central do Brasil, batizada de Rede Ferroviária Federal. As ferrovias foram abandonadas. Viajar um pouco por trem só fora do Brasil, e no nosso país hoje em dia quase que a única opção são os trenzinhos de turismo, como o Tiradentes a São João Del Rey. Hoje são vários os trenzinhos de curto percurso ligando pontos turísticos., lembrando talvez a encantadora música de Villa-Lobos, Trenzinho caipira.

É uma pena! pode-se atravessar os Estados Unidos de um lado a outro, do Atlântico ao Pacífico de trem. A Europa é toda coberta por trilhos e dormentes. É nítida a impressão de que no Brasil ninguém gosta de trem e, mesmo ao construir a ponte Rio - Niterói esqueceram uma ligação por trilhos para transporte coletivo. Talvez, ainda se pode viajar de Belo Horizonte a Vitória, sem a velocidade de um trem bala, mas se chega ao destino, e sem dúvida, é mais seguro que rodovias.


Ninguém precisa ser economista para saber que o transporte ferroviário é mais barato, e o rodoviário, por caminhões, o mais caro. As estradas brasileiras hoje em dia estão entupidas de caminhões e carretas com reboques. As estradas são as mesmas de décadas, de anos atrás, e os caminhões cresceram em tamanho, potência e velocidade.

Andar de trem é uma sensação toda especial. As antigas ferrovias não eram construídas em planejamento nacional e continham variadas bitolas. Mas, isso não seria uma razão para o desmantelamento dos trilhos e dormentes. Até mesmo Cabo Frio era ligado por trem ao Rio, e hoje nem mesmo vemos uns raros trens se movimentando a uma média de poucos quilômetros horários na ferrovia em frangalhos do Rio a Macaé.

O trem bala do Rio a São Paulo já saiu do papel e, em muito breve, então o Brasileiro se encante de novo em viajar de trem e um dia tenhamos uma ligação do Chui ao Amapá, para cargas, mas também para passageiros. É chegada a hora da Ferrovia no Brasil novamente entrar na moda.

Há poucos, assistimos iniciativas de alguns municípios do Norte Fluminense, como São João da Barra e Quissamã se organizarem num Encontro Regional de Preservação e Revitalização Ferroviária, que tem por finalidades fomentar, desenvolver e apoiar programas, projetos e atividades que visem ao resgate, à preservação e à valorização do patrimônio histórico e cultural ferroviário e à revitalização do transporte sobre trilhos no país, e então, quando foi enfatizado os interesses em que visam o desenvolvimento do turismo por meio da revitalização ferroviária, haja visto, segmento que já conta com atração de visitantes por suas praias, artesanato, pólo gastronômico e dos circuitos histórico e ecológico.

Nesse caminho, peculiarmente, São João da Barra, cercada de praias exuberantes, que hospeda farta culinária, e também já conta com as instalações de um clube privado que detém um dos maiores complexos exploratórios ferroviários do país, com sua locomotiva que passeia por 15 quilômetros, dentro do espaço, e atrai turistas de várias partes do Brasil. Quissamã, ainda em fase embrionária, almeja do projeto Trens Turísticos e Culturais, que deverá contemplar o circuito da cana-de-açúcar e dos casarões históricos, como também o novo circuito da cachaça e das belezas ecológicas do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba.



INVESTIMENTOS SÃO MACIÇOS E GRANDES OBRAS TRARÃO A VOLTA DO TREM

Depois de desativar por longos anos a linha da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que liga os portos do Rio de Janeiro e Vitória, a Ferrovia Centro Atlântica (FCA) vai ser reativada em função das demandas por cargas para a indústria da construção civil. O trem vai transportar cimento, granito e areia entre Cachoeiro do Itaperimim, no Espírito Santo, e a cidade do Rio de Janeiro, passando por Campos, Quissamã, Carapebus, Macaé, e Itaborai.

Noticias do site Amantes da Ferrovia, diz que a FCA já iniciou a contratação de pessoal, inclusive maquinistas desempregados, e as antigas oficinas de vagões e de locomotivas de Macaé e de Campos vão sediar terminais de cargas e funcionarão como armazéns de cimento e embarcadouros de areia. O cimento e o granito vão ter origem em Cachoeiro do Itapemirim, com três destinos distintos: as estações de Campos, Macaé e Venda das Pedras, no município de Tanguá, próximo de Itaboraí, já na Região Metropolitana do Grande Rio.

PEDRAS DE CACHOEIRO PARA CAMPOS, DE ONDE SAIRÁ AREIA

Os trens também vão transportar materiais para a construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro - COMPERJ, entre os municípios de São Gonçalo e Itaboraí, na região do Grande Rio. Nos terminais de cargas em Campos o trem deixará cargas de cimento e pegará carregamentos de areia extraída no Rio Paraíba do Sul.

O trem cargueiro vai transportar pedras (britas), blocos de granito e cimento capixaba, da região de Cobiça Leopoldina para atender as demandas das obras no Norte Fluminense e na cidade do Rio de Janeiro. Os trens vão transportar grandes quantidades de pedras, cimento e areia para a reforma e ampliação dos complexos esportivos do Panamericano que vão sediar competições durante a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos em 2016, todas no Rio de Janeiro. são motivadas nestas noticias.


 

A reativação da ferrovia, inclusive com o retorno do transporte de passageiros, é uma antiga aspirações de várias cidades que surgiram nos séculos passados, às margem dos trilhos e principalmente nos pontos de paradas. A supressão dos serviços fez também que, em alguns municípios, as prefeituras desejassem os prédios das antigas estações, como forma de indenização para os transtornos dos trilhos na cidade, sem utilização pelos trens.

TRECHOS NA REGIÃO RECEBEM REPAROS

A FCA já iniciou no município de Tanguá a construção de um desvio, num pequeno trecho de ferrovia, para conduzir da ferrovia principal as cargas de cimento, pedra e areia, até um terminal de cargas que começa a ser construído para atender as obras do COMPERJ. As equipes de ferroviários trabalham na recuperação da estrada de ferro nos trechos que estavam necessitando de poda de árvores, troca de dormentes e de nivelamento da via entre Campos e Macaé que já foram corrigidos, além de reparos no espaço Campos-Cachoeiro.

A ANTT anunciou estudos para revalorizar o transporte por trens, e neste, mostra que 62% das ferrovias concedidas à iniciativa privada nos anos 1990 estão atualmente sem uso regular, ou seja, ociosas ou abandonadas pelas empresas. Por isso, o governo federal analisa mecanismos para revalorizar esse tipo de transporte, começando pela rede de 570 quilômetros subutilizada do Norte Fluminense.

Dos 28,8 mil quilômetros da malha ferroviária existente no País, apenas 10,9 mil são explorados, de acordo com a agência. Se for considerada apenas a malha em bitola estreita (distância entre os trilhos de um metro, mais antiga e predominante no País), essa ociosidade chega a 77%. A malha em bitola larga (distância de 1,6 metro, mais moderna) é totalmente utilizada. A maior parte das ferrovias subutilizadas está no Sul e no Sudeste, mas também há no Nordeste e no Centro-Oeste.

As ferrovias abandonadas podem comprometer todo um setor econômico. É o caso das fabricantes de tijolos de Campos. Mesmo com um produto mais competitivo que o de outras regiões, eles chegam mais caro à capital por causa do frete. Com a cobrança dos pedágios da BR-101, o preço do frete por milheiro de tijolos subiu e colocou em risco o acesso a 60% do mercado destas empresas.

Como alegam os empresários, certamente, a situação seria diferente se o trecho de 240 quilômetros de ferrovia entre Campos, Macaé e a Baixada Fluminense, concedido à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), não estivesse abandonado. Segundo o Sindicatos destas indústrias, com caminhões, paga-se quase três vezes mais por milheiro, em relação ao custo de frete do tijolo que sai de Itaboraí, e por isto, a conta não fecha.

O TREM DE VOLTA AOS TRILHOS

Na procura de alternativas para esses trechos, depois de mapear as razões da ociosidade e o potencial econômico de cada ramal, há emergência na revisão contratual com os concessionários para rever as metas de desempenho.

Em Magé, por exemplo, parte dos trilhos não usados será transferida para a prefeitura criar um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), para passageiros.

Também o governo do Estado, que busca outra via de escoamento da produção do Complexo Petroquímico do Rio - COMPERJ e uma ligação com o futuro porto de Açu, em São João da Barra, viabiliza esta nova visão sobre o Trem para cargas, no que, inclusive, sugere a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), para passageiros, desde Rio das Ostras até São João da Barra, passando por Macaé, Carapebus, Quissamã e Campos.

Diariamente há mais de 200 ônibus que saem de Campos para Macaé levando trabalhadores, além de universitários que poderiam ir de trem. Além disto, a demanda de passageiros que residem no município de Cabo Frio, no seu 2° distrito de Tamoios, Barra de São João e Rio das Ostras que se deslocam diariamente para Macaé para trabalharem nas atividades do mercado petrolífero, talvez, ultrapassem esta quantidade Campos-Macaé.

No Norte Fluminense, a agência aponta ainda como alternativa a entrada na malha local da mesma empresa tem a concessão da Ferrovia Transoceânica, incluída no Plano Nacional de Viação em maio de 2008, que rasgará o Brasil ao meio, ligando o litoral Norte do Rio à malha ferroviária do Peru, passando por Goiás, Rondônia e Acre até chegar a Boqueirão da Esperança, na fronteira do Brasil, com 4.400 quilômetros, e nesta, vale acrescentar que poder-se-ia começar em qualquer trecho, se tiver a garantia de carga, e, evidentemente, quanto aos trechos sem mercado, onde o traçado é muito antigo, seriam excluídos desta pretensão inicial, para depois rever sua vocação.



NO BRASIL, A OPERAÇÃO QUASE EQUIVALE A DE UM MINERODUTO

A reestruturação da malha ferroviária brasileira subutilizada é uma reivindicação antiga do setor agrícola e industrial e não é questionada pelas concessionárias. A constatação é que se trata de um problema histórico, agravado, dizem os especialistas, pelo modelo de concessões da malha da antiga Rede Ferroviária Federal, que não incentivou investimentos privados em toda a área concedida. Destes, por falta de transporte adequado, alguns milhões de toneladas deixam de ser produzidas, e com isto, calcula-se uma considerável perda, de bilhões de reais ao ano com problemas de logística no Brasil.

Para algumas entidades ligadas ao setor, as medidas em curso são positivas e vão ao encontro das reivindicações das operadoras, tanto que nos últimos anos, o setor privado injetou acima de R$ 20 bilhões em investimentos no setor e outros ultrapassados R$ 10 bilhões em impostos. Mas é preciso muito mais, pois que há de considerar que esses trechos já estavam ociosos quando foram feitas as concessões, embora que, verifica-se que durante os últimos anos, estas modernizaram e melhoraram a malha como um todo.

Para se obter uma melhor dimensão financeira do setor, e que é preciso relativizar o sucesso divulgado pelas operadoras, quando se aufere das 430 milhões de toneladas transportadas por ano em trem, 330 milhões de toneladas são de minério de ferro, carvão e coque.

No Brasil, as ferrovias funcionam quase como um mineroduto. Se não fosse a crise internacional, que ainda não passou em termos de volume da produção, provavelmente, estaríamos com todas as vias entupidas.

Dos três grandes operadores de ferrovias do País, dois são controlados por mineradoras, e somente uma que opera mais ao Sul do País é empresa de capital aberto, e entre os controladores, há companhias de logística, fundos de pensão e investimento e banco de desenvolvimento.

Enquanto isto, enquanto o Brasil tem três empresas, com um quarto operador devendo se consolidar a Transnordestina, os Estados Unidos têm mais de 500 firmas no setor. Lá são cinco grandes operadores, e os demais administram ferrovias pequenas. O trecho que é ruim para uma grande pode ser interessante para uma pequena ou para uma empresa de outro modal.

Quando alguns defendem, no que acreditam, que a forma de concessão, em 1996 prejudicou o desenvolvimento do setor, porque foram colocadas metas gerais para as operadoras, que as cumpriram nos trechos mais demandados, abandonado aqueles menos rentáveis em pouco existe razão, e que não muito define em achar isto o fim do mundo, ou simplesmente, não podermos conviver com esse tipo de coisa, ou não tem a malha ou a malha não é explorada. Precisamos de fato, de decisões eficazes e de investimentos compromissados com o desenvolvimento, tanto no setor empresarial, seja, quanto ao segmento de minério, do agrícola ou da indústria, como também, no turístico e, principalmente, do bem estar da população com investimentos para um melhor transporte dos passageiros. E nisto, nós temos a solução!

NO NORTE DO RIO, O ABANDONO ESTÁ POR FIM

Apontado pelo governo federal como local em que os trilhos estão mais abandonados, o Norte do estado do Rio tem nostalgia da época em que os trens cortavam a região e espera que um futuro melhor chegue pela recuperação das ferrovias. Além de impedir uma diversificação da economia local, fortemente dependente dos royalties do petróleo, a falta de acessos eficientes prejudica os principais produtos locais - o açúcar e os tijolos, ambos de baixo valor agregado -, que vivem uma fase muito menos pujante que no passado. Com caminhão, o açúcar fica restrito ao Rio, mas se tivesse como levá-lo por trem para Belo Horizonte ou Salvador, com um custo de transporte de 7%, ele seria competitivo. Com os atuais 15% de custo do transporte rodoviário, não é viável.

Hoje apenas cinco usinas sobrevivem na região - há duas décadas eram 20. Apesar disso, acredita-se em um futuro promissor, com o aumento do uso do etanol e com uma eventual recuperação das ferrovias, que poderá ser puxada pelo novo porto de Açu. Este terminal portuário, que está sendo construído em São João da Barra, vizinha a Campos.

A expectativa criada na região de que estão sendo realizados estudos para retomar dois ramais férreos, e de que o porto deve começar a operar em capacidade total em 2012, também tem contribuído para esta nova frente de renascimento do setor.

Ora, existisse a ferrovia em funcionamento à transportar a pedra utilizada na construção do porto, que é retirada do município de São Fidélis, embora exista um ramal de ferrovia que praticamente liga a pedreira ao porto, a empresa não precisaria construir via própria e um viaduto sobre a BR-101 para que seus caminhões lotados de pedras não atravancassem ainda mais a rodovia.

Como já dito, no passado, Campos era ligada por trem a Rio, Vitória e Belo Horizonte. Com o tempo, essa malha foi sendo desfeita, e hoje resta um serviço muito esporádico para Vitória, e sabe-se da expectativa da empresa responsável pelos trajetos, a FCA - subsidiária da Vale -, retomar a linha até Itaboraí em futuro próximo.

E, é neste nicho que os passageiros, sejam, de Rio das Ostras a Macaé, ou de Campos, Carapebus, Quissamã e São João da Barra irão se beneficiar, se utilizando não somente do escoamento das suas produções, mas também do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para passageiros, e assim, tornando novamente o Trem como o símbolo do progresso nesta região Fluminense e dos seus cidadãos.

Sidney Morgado Nascimento



em Quissamã/RJ, 01.09.2010.

A IDADE DAS TREVAS

A IDADE DAS TREVAS
CAPÍTULO I - A PRECARIZAÇÃO DO ESTADO



A assunção do tucanato ao poder, em 1994, trouxe ao cenário político nacional não apenas FHC, com seu jeito melífluo e convincente de ser. Não. Trouxe um establishment político‑ideológico‑industrial‑corporativo‑colonial que assumiu os postos de comando do Estado com um apetite jamais visto! Como uma horda de nômades mongóis que chegasse ao conforto urbano, os tucanos plugaram suas ventosas sobre as instâncias decisórias e os cargos da República e passaram a sugar, para si e seus correlatos da iniciativa privada, os recursos do Estado com uma sanha que deixaria os velociraptors colonialistas da Era Bush, Wolfovitz à frente, corados de vergonha!

Como justificativa desse assalto ao aparelho do Estado, os tucanos precisavam de um imbricamento ideológico que lhes desse suporte teórico ao desmanche do conceito e das estruturas do Estado! Com Sérgio "Trator" Mota à frente, os ideólogos do tucanato criaram e difundiram à exaustão, via mídia domesticada e partícipe, a tese de que o Estado era ineficiente, perdulário e inepto! Em contraponto, surgiram os príncipes privatistas tucanos, personificados em Ricardo "No Limite da Irresponsabilidade" Sérgio e em Luiz Carlos Mendonça de Barros, afirmando que a salvação da lavoura e do Estado era o fim do próprio Estado! Eram os arautos do Deus Mercado, tatcheristas tupiniquins e temporões, que vinham para acabar com a farra do investimento público e com o papel regulador do Estado! Diziam abertamente que o Estado fazia mal até suas funções de regulador! E que, pasmem, para regular o mercado, nada melhor que o próprio mercado! É! Espantosa e criminosamente simples assim! E aí Deus (não o Senhor, mas o Mercado) criou as agências reguladoras! E viu que era bom! Muito bom! Principalmente para os amigos tucanos que passaram a comprar as empresas estatais a preço de banana na feira! E tome Embratel, Telebrás, Vale do Rio Doce! Com as agências definindo o quinhão de lucro que cada operadora privada deveria ter! E o lucro haveria de ser grande e duradouro, que ninguém era besta de empatar dinheiro sem retorno! Enquanto isso, a escumalha (nós, a massa ignara) era bombardeada pela mídia com as notícias de que, agora sim, a coisa vai! Era o fim da Era Vargas! Era o começo do vintenário tucano na Terra Brasilis, profetizado por Sérgio Mota! Vivia‑se um clima de euforia anti‑estatista nas ruas! Servidores públicos eram execrados aos magotes, nas sessões de auto‑elogio do governo! Bresser Pereira bradava colérico: vamos acabar com a farra no serviço público (nunca se chegou a saber exatamente o tipo da farra)! Enquanto os privatistas avançavam sobre o espólio da Viúva, FHC, com frêmitos de gozo, recebia títulos de doutor honoris causam mundo afora!

Hoje, esse cenário parece impossível! Mas, à época não! Os falcões tucanos (um paradoxo insolúvel) estavam inebriados! Haviam descoberto a pólvora das fontes eternais do Estado! Só que esqueceram de um detalhe pequeno: o povo! Enquanto os formuladores tucanos pregavam na igreja do mercado que a extrema competência da iniciativa privada traria prosperidade e bonança para todos, apenas os diáconos tucanos e seus amigos financistas se davam bem! O povo, após a crise russa, desconfiava que havia caído num grande e bem contado conto‑do‑vigário! Num estelionato ideológico sem precedentes! O golpe no fígado veio com a eleição de 2002, com Lula! O uper cut no queixo veio com a reeleição de 2006!

O povo deu o seu recado claro e direto: ele é o dono do Estado e não aceita intermediários! Um segmento dos financistas e operadores insiste na agenda rejeitada pelo povo, na eleição! São os cabeças‑de‑planilha, expressão cunhada por Luis Nassif para definir os yupizinhos com mestrado em Harvard, que ainda insistem em nos impor sua agenda nefasta! São os rebotalhos daqueles tucanos heróicos que pensavam em reinar 20 anos na cena política brasileira! Graças a Deus, deram com os burros n'água! A sociedade brasileira agradece‑lhes o fracasso! A Octaetéride tucana durou o tamanho exato da quase destruição do Estado! Que sirva de vacina e de contra‑veneno para o futuro!


A IDADE DAS TREVAS
CAPÍTULO II - O MITO DA EFICIÊNCIA DA INICIATIVA PRIVADA

Paralelo à precarização e ao desmonte do Estado, o tucanato, ao assumir o poder em 94, levou a cabo um processo goebbelliano sem precedentes no campo político‑midiático brasileiro. Batiam na tecla de que, ao mesmo tempo que o Estado era ineficiente, gastador e inepto, a iniciativa privada era o éden da competência! Não satisfeitos com a terceirização capenga feita por Collor (alguém se lembra das demissões de servidores públicos vigilantes feitas por Collor, para, em seguida, contratar empresas de vigilância de amigos da Casa da Dinda, a um preço dez vezes maior?), os tucanos avançavam sobre o patrimônio público com um apetite feroz! E justicavam a autofagia com o argumento simplório de que o gigantismo do Estado não dera certo em lugar nenhum do mundo! Portanto, nada mais justo do que desmontar os últimos resquícios da Era Vargas! Só a iniciativa privada resolveria o problema crônico do Brasil! Eram os arautos do Estado mínimo. Temos que acabar com Estado paternalista, bradavam, numa parábola invertida do "ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil"!

E aí então, assistimos ao espetáculo da maior rapinagem do patrimônio público que se tem notícia! Quais Prometeus públicos devorando o próprio rabo, os tucanos partiram para o ataque. Ancorados no dogma da eficiência da iniciativa privada, levou‑se o patrimônio da Viúva à bancarrota! Desnecessário enumerar as empresas "vendidas" nesse período! Enquanto Ricardo "No Limite da Irresponsabilidade" Sérgio andava no fio da navalha entre o esbulho e o crime, o tucano‑mor FHC afirmava, pode fazer, vamos fazer!

Hoje porém, passados tantos anos, restou a pergunta: que poderoso argumento ideológico usou o tucanato? Que palavra mágica proferiam em seus oráculos? Será que, realmente, a iniciativa privada era mesmo o Santo Graal que traria prosperidade e bonança para todos? Ancorados em apenas um exemplo, o da Vale do Rio Doce, podemos, no mínimo, questionar o tucanato: vendida, há pouco mais de uma década, a "impressionantes" US $3,5 bilhões, hoje vale a bagatela de US$ 120 bilhões. Impressionante, não é? Fora as imensas reservas minerais, de resto, imensuráveis!

Sobre a competência da atividade privada, vale rememorar breve histórico no Brasil. Desde a década de 50, temos uma seqüência interessante de algumas empresas públicas: são capitalizadas pelo Estado para, logo em seguida, serem "vendidas" a precinhos camaradas a "competentes" administradores privados! Após um período mais ou menos longo de gestões privadas "competentíssimas", tais empresas, quase todas quebradas, são "reestatizadas" pelo Estado perdulário e inepto, que as capitaliza com dinheiro público e, novamente, as "vende" para os ultra‑competentes gestores privados, num círculo danoso que se repete num mau‑caratismo de assombrar! Ah, tenham dó!

Com os tucanos no poder, esse ciclo foi levado às raias do insuportável! Coroando todo esse processo, criou‑se as jóias da Coroa: as agências reguladoras, encraves privados no seio do Estado, imunes à decisões do próprio Estado! Por esse modelo infame, o próprio presidente da República seria um mero despachante do Mercado! Era a rendição total, a esterilização da vontade popular frente à sanha financista dos dândis do mercado! A pá de cal na baboseira ideológica do Estado mínimo foi a última crise econômico-financeira. Depois que os EUA, a pátria-mãe do capitalismo, estatizou bancos, montadoras e empresas de seguros, a desolação se abateu sobre o tucanato. Tucanos de alta plumagem queimam os neurônios para descobrir um discurso alternativo crível para se apresentarem na eleição de 2010, já que seu discurso desde sempre foi: reformas (nessas reformas, tem sempre um dinheiro público deslizando para os bolsos dos maganões), Estado mínimo, privatização, terceirização, liberdade total aos mercados! O mesmo discurso, a mesma receita que levou a economia mundial à bancarrota em 2008/2009!

Estranhos critérios de eficiência, esses! Lembram muito aquele ditado surrado: aos amigos do Rei, tudo; aos inimigos, os rigores da Lei! Que não nos esqueçamos nunca desses detalhes, submersos na voragem daqueles tempos de ira, mas também de muita safadeza e dinheiro fácil, subtraído do espólio da Viúva! Que a efeméride tucana sirva de marcador para a construção de um país novo! País esse em que, competência e rapinagem sejam conceitos distintos como água e óleo! E que a mão peluda do tucanato jamais volte a misturá‑los!


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CAPÍTULO III - O ITAMARATI TUCANO E A DIPLOMACIA DE PÉS-DESCALÇOS

Prosseguindo com a análise sobre a octaetéride tucana e seus estragos na vida do país, hoje abordaremos a linha diplomática imposta pelo tucanato de 1994 a 2002. Não foi difícil para as aves bicudas dobrarem o Instituto Rio Branco aos seus caprichos de meninos deslumbrados com o restolho da globalização tatcherista. Há, no Itamarati, um ranço americanóide que impera, às vezes explícito, às vezes latente, desde Juraci Magalhães e sua desastrosa frase/fase de alinhamento automático com os EUA.

Na prática como se deu esse alinhamento automático do tucanato à política externa americana? E por que? Qual a gênese desse alinhamento? Qual a razão desse agachamento deslumbrado? Com a assunção de FHC ao poder, guindado pelo Plano Real de Itamar Franco, imediatamente a chancelaria brasileira abandonou o viés terceiro‑mundista que vigorara no período Itamarino. Inflexões diplomáticas rumo à África e países árabes foram abortadas. As tratativas em andamento foram congeladas. Até o incremento das relações comerciais com os países‑baleia, os BRICs, foi relegado a segundo e duvidoso plano. Em plena ascensão como potência econômica, a China foi relegada a uma terceira ordem de importância pela chancelaria tucana. Celso Lafer era um Juraci Magalhães redivivo: o que era bom para os EUA, era melhor ainda para o Brasil. E o que era muito bom para os americanos era a postura subserviente da diplomacia brasileira ao ignorar o PIB potencial crescente dos RICs(Rússia, Índia e China). Aos EUA não interessavam a interação cooperativa entre os BRICs. Era necessária a cizânia; urgia separá‑los para que, separados, não descobrissem o enorme poder de barganha que possuíam e passariam a ter no cenário internacional. Os EUA queriam isolar o Brasil e assim enfraquecer os BRICs. Os diplomatas brasileiros, capitaneados por "Celso Sem‑Sapatos Lafer" fizeram tudo direitinho e transformaram o Itamarati num apêndice, num rabo da Casa Branca.

Apesar desse alinhamento automático, os EUA queriam mais. Muito mais. A ALCA, tratado de livre‑comércio a vigorar em todas as Américas, era, sem tirar nem pôr, uma versão econômica da diplomacia das canhoneiras que conquistara metade do México; diferentemente da batalha de Los Alamos, para a ALCA não haveria limites. Ao contrário da onda expansionista que comeu a metade do México, onde o Rio Grande era o limite, dessa vez a Pax Americana lamberia até as escarpas do Cabo Horn, incorporando a mítica e lendária Ushuaia, a menina dos olhos de San Martin. Felizmente, a ALCA só não prevaleceu porque, os remanescentes dos "Barbudinhos", Celso Amorim à frente, conseguiram equilibrar o jogo e impedir que os "Pés‑Descalços" liderados por Lafer, concluíssem o processo de anexação aos EUA, que a ALCA trazia embutido.

Hoje, passados aqueles dias conturbados, fica o questionamento: por que? O que movia a Inteligentia tucanae para fazer tal haraquiri e entregar a soberania brasileira no altar da globalização? As razões para tal atitude não são simples nem visíveis. Podemos elencar algumas possibilidades, sempre, porém, dentro da larga e nebulosa margem de erro da alma humana. Uma hipótese viável seria a de que os tucanos, geneticamente, foram acometidos da Síndrome de Estocolmo, aquela em que as vítimas se apaixonam pelos seus algozes, absorvendo todos os seus valores. Outra hipótese seria a de que a diplomacia tucana, e de resto todo o tucanato, seria adepta da Teoria do Discurso Introjetado (formulada por estes modestos escribas), na qual o agente oprimido oprime seus iguais para parecer simpático ao opressor (expressão erudita do popular bate‑pau; do puxa‑saco; do baba‑ovo).

De qualquer forma, caiba a definição teórica que couber, a verdade é que há um componente psico‑patogênico importante permeando todo o periodo da diplomacia tucana. Freud explica? Jung elucida? São dúvidas que escapam à percepção limitada deste blog. O certo é que a cena do chanceler Celso Lafer, tirando os sapatos na aduana americana e pondo de joelhos todo um país, permanecerá como uma das cenas mais degradantes de nosso tempo!


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CAPÍTULO IV - DE UM ENSINO TECNICISTA A EDUCAÇÃOZINHA MEIA-BOCA


Dando prosseguimento ao inventário dos malefícios causados ao país pelo tucanato no poder, hoje abordaremos a Educação. Ao assumir o poder central em 1994, os tucanos tinham pronto e formulado um projeto para a Educação: uma extensão do Consenso de Washington para a seara educacional. A espinha dorsal desse plano seria uma política de sucateamento e desmanche das universidades públicas, simultânea à abertura, para as IES privadas, do imenso mercado do acesso massivo dos jovens ao ensino superior.

Para a patuléia, os tucanos tinham um discurso impecável: como o Estado era incompetente para suprir a demanda por novas vagas na universidade, era imperioso abrir a educação superior à competência da Iniciativa Privada(assim mesmo, com maiúsculas). Como quase tudo na octaetéride tucana, vivia‑se um clima de ligeireza nas coisas; os tucanos haviam redescoberto a roda! Breve, o Brasil ostentaria indíces de primeiro mundo na Educação! Agora a coisa vai, profetizava um FHC em frêmitos de gozo! Ao mesmo tempo em que se sangrava as universidades públicas com a míngua de recursos, novas faculdades privadas brotavam aos magotes em cada esquina. Apesar desse otimismo que perpassava todo o ambiente educacional, o governo intervia nas universidades públicas e impedia que reitores independentes assumissem o controle e gorassem o plano tão habilmente urdido (o caso da eleição para a reitoria da UFERJ foi emblemático desse período).

O resultado desastroso dessa política começou a ser visualizado já em 2003, no início do governo Lula e perdura, em certa medida, até hoje. O índice de abandono e evasão, por inadimplência, na rede privada de ensino superior tornou‑se alarmante, beirando, em algumas instituições, o percentual de 50%! Embora o governo petista tenha revertido essa agenda nefasta e resolvido investir na reconstrução da educação pública superior, os frutos amargos do desastre tucano levarão décadas para serem extirpados do quadro da educação brasileira.

Hoje, passados aqueles tempos tenebrosos da expertise tucana na Educação, fica o questionamento: qual estofo ideológico alimentava os grão‑tucanos? Qual suporte teórico amparava Paulo Renato e sua turma nessa sucessão insana de desatinos? Como diria o marqueteiro americano James Carville, é a economia, estúpido! Foi para secundar o neocolonialismo travestido de globalização que o tucanato mercantilizou a educação superior no Brasil! Mas o colonialismo imperialista nunca quis que as imensas massas dos países periféricos obtivessem a escolarização formal! O que mudou? Mudou o conceito de produção na economia capitalista globalizada. Para operar as modernas máquinas do capitalismo integrado, o trabalhador precisava ser escolarizado, seja no Brasil, na China ou na Coréia! Aliás, a revolução educacional coreana era o paradigma preferido dos tucanos de alto coturno! Babavam de gozo ante a eficiência coreana na educação! Era o ideal tucano de uma educação técnica e asséptica, que jamais questionasse a Matrix!

Mas aí entra o pulo‑do‑gato da inteligentia tucanae! O acesso das massas periféricas à escolarização de nível superior teria que ser controlado com rédea curta. Ao mesmo tempo em que permitia o acesso do jovem operário na universidade, o capitalismo monopolista ministrava‑lhe um contra‑veneno: impedia que esse jovem, quando no ensino médio, tivesse acesso a disciplinas que lhe dotassem de um senso mínimo de análise e questionamento! Urgia que a esse jovem fosse negado o acesso a disciplinas humanistas que lhe desviasse da rota dos cabeças‑de‑planilha! Não por acaso, FHC vetou, quando presidente, a adoção obrigatória das disciplinas Sociologia e Filosofia na rede pública de ensino médio! Era necessário que o ensino fundamental e médio desse jovem tivesse um viés claramente tecnicista, para esterilizar qualquer possibilidade de nascimento de uma geração de contestadores, de outsiders! Matava‑se a possibilidade de resistência ao capitalismo colonialista no nascedouro! Simples assim? Espantosa, criminosa e maquiavelicamente simples assim!

Mas afinal, o que deu errado? Por que os grão‑vizires do tucanato foram escorraçados pelo povo em 2002? E por que a sova eleitoral se repetiu em 2006? A resposta não é simplista! Talvez os Paulo Renato Boys tenham subestimado a capacidade dos proletários‑universitários de se escolarizarem, absorverem a informação e a processarem em seu proveito! Esqueceram‑se os çábios tucanos, ancorados em seus títulos acadêmicos, que o pau que dá em Chico pode também dar em Francisco! Olvidaram‑se de Augusto dos Anjos e seus sonetos maravilhos! Não atinaram que a mão da educação que afaga é a mesma que pode apedrejar!


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CAPÍTULO V - DANIEL DANTAS COMO MODELO DE EMPREENDEDORISMO E DE COMO OS OLIGARCAS TUCANOS SAQUEARAM O ESTADO

Recuando aos tormentosos anos 90, vislumbramos uma agitação febril nos bastidores do tucanato. Vivia-se a panacéia da privatização das empresas estatais e, exatamente como fora ordenado pelo Consenso de Washington, FHC preparava, álacre, o edital para vender as estatais brasileiras na bacia das almas.

Dentre os empresários e proto-empresários que se destacavam na linha auxiliar do projeto tucano, um, em especial, se sobressaía: Daniel Valente Dantas. Cevado nas hostes baianas de Antônio Carlos Magalhães, pós-graduado na Fundação Getúlio Vargas e pós-doutorado pelo MIT, Dantas, logo cedo se revelaria um mago das finanças. Após vender sua cota societária no Banco Icatu e escapar, milagrosamente, do confisco do Plano Collor, Dantas funda o Banco Opportunity e se prepara para a grande jogada de sua vida: o programa de privatização das estatais brasileiras. Fernando Henrique Cardoso havia sido eleito na esteira do Plano Real de Itamar Franco. Corria então o ano da graça de 1994. Conforme prometido ao Consenso de Washington, FHC cumpre o acordado. Andando no limite da irresponsabilidade e da safadeza, FHC entrega as principais empresas estatais para a iniciativa privada, majoritariamente estrangeira. E o que é pior: não bastasse a venda das estatais subavaliadas, o Estado colocava o BNDES para emprestar dinheiro público para a camarilha comprar o patrimônio público! Obviamente que, com um jurinho camarada e carência a perder de vista! Daniel Dantas virou o que é hoje, aí, nesse espaço-tempo nebuloso das ruinosas privatizações tucanas; nesse locus institucionalizado da pilantragem tucana!

Ancorado nos principais fundos de pensão (Previ, Petros, Funcef), que foram obrigados por FHC a, debaixo de vara, aportarem recursos bilionários em seus projetos, Dantas saiu de um cenário de sócio de um tamborete (o Icatu) para o controlador de um grande grupo da telefonia: a Brasil Telecom.

Esse foi o modelo aplicado a outros empresários também. Nenhum com o sucesso de Dantas, porém. Assim, no período negro da primeira tetraetéride Fernandina, assistimos ao mais descarado roubo ao patrimônio nacional; assistimos, impassíveis, a um verdadeiro saque ao Estado, comandado a partir de dentro, do próprio Palácio do Planalto, criando os novos oligarcas que dariam as cartas na vida política e econômica brasileira por vinte anos, segundo vaticinava Sérgio Mota. A cena mais emblemática desse período foi o célebre jantar de Daniel Dantas com FHC, no palácio do Planalto. Segundo testemunhas, nesse jantar, Dantas reclamou com Fernando Henrique da recalcitrante diretoria da Previ, que se recusava a participar da pantomima. No dia seguinte, a diretoria da Previ estava demitida e Dantas conseguiu a parceria que queria.

Não é à toa que FHC considera Daniel Dantas brilhante.

Alberto Bilac de Freitas Nobre
Igor Romanov







A CRONOLOGIA DA BALA DE PRATA



Preliminarmente, cabe aqui uma consideração. Para se entender a lógica desse episódio da violação do sigilo fiscal de Verônica Serra, a gênese de tudo e as entranhas da que seja, talvez, a mais bem-urdida trama de espionagem político-eleitoral jamais tentada, há que se raciocinar como um deles; há que pensar como um, digamos, operador das profundezas do subterrâneo malcheiroso em que se transformaram o entorno e o núcleo da entourage próxima a José Serra. Feita a ressalva, vamos à cronologia do bestialógico:

2005 - Passado o ápice do mensalão, Serra avaliava que Lula seria reeleito em 2006. A partir daí, seguiu-se o roteiro de empurrar Alckmin para a derrota anunciada. Decidira-se desde aí, que a chance de Serra seria em 2010, quando Lula já não poderia ser candidato. Mas o núcleo da inteligência serrista, coordenado por Marcelo Itajiba, sugeriu um laboratório do que seria aplicado em 2010: o escândalo dos aloprados, em 2006, por pouco não derrota Lula. Mas o objetivo era esse mesmo: um teste, para ver se o método aplicado com sucesso em 2002 com o caso Lunus, implodindo a candidatura Roseana, poderia ser reeditado. A armação com o delegado Edmilson Bruno, levando a eleição presidencial para o segundo turno, mostrara a viabilidade do método.

2008 - Com a articulação de Aécio Neves para o ser o candidato do partido em 2010, o staff de Itajiba começa a fazer um trabalhinho miúdo sobre o mineiro; coisa de pequena monta, que não inviabilizasse o apoio deste a Serra, no futuro, mas o suficiente para afastá-lo da disputa. Quando os esbirros de Serra na mídia lançaram a senha: Pó pará, governador! Aécio entendera que a turma era da pesada e não estava para brincadeiras. Nasceu aí o contra-ataque Aecista: Amauri Ribeiro Júnior, então em um periódico mineiro, encabeçaria o projeto do contra-ataque e municiaria a artilharia mineira. Essa batalha subterrânea duraria até o final de 2009, quando Aécio recuaria.

2009 – Durante a batalha entre os dois grupos tucanos, Serra fica sabendo da farta e explosiva munição recolhida por Ribeiro Jr. O núcleo de sua equipe de inteligência, coordenado por Itajiba e que o acompanha desde os tempos do Ministério da Saúde, o adverte então: o material era nitroglicerina pura. Urgia providenciar um fogo de barragem, que pudesse ao menos minimizar o estrago quando o material viesse a público. Nasceu então, aí, nesse espaço-tempo, o hoje famoso dossiê “quebra de sigilo de Verônica Serra”! Notem que os personagens envolvidos na ‘quebra de sigilo’ são os mesmos do livro do Amauri: José Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, Gregório Marin Preciado, Mendonça de Barros e Verônica Serra (aí leia-se também Verônica Dantas e seu irmão, o querubim Daniel). Eduardo Jorge foi inserido aí como seguro. Próximo a FHC, mas não de Serra, EJ era o seguro contra qualquer atitude intempestiva de FHC, sabidamente não confiável, para que se mantivesse quieto quando a artilharia pesada viesse à tona.

2009 – Tomada a decisão, parte-se para o fogo de barragem. A parte mais fácil foi a montagem da ‘quebra’ de sigilo fiscal das vítimas. A incógnita, até agora, é que tipo de envolvimento tem o laranja Antônio Carlos Atella com a operação. Se é apenas mais um cavalo, o clássico operador barato, facilmente descartável, com acesso a algumas informações úteis e suficientes e lançador da isca fundamental: “Não me lembro quem foi… com certeza é alguém que quer prejudicar o Serra”. Ou se é alguém orgânico, um insider dos intestinos Itajibistas!

2010 – Com a desistência de Aécio, o grupo fica com a arma na mão, à espera da publicação do livro. É aí que se opera a clivagem para o quadro definitivo que vemos hoje: não é suficiente esperar o ataque do Aécio, que pode não vir, já que o mineiro recolheu suas baterias para o front de Minas Gerais. É preciso partir para o ataque. Além de neutralizar o grupo de Aécio, jogar pensando na frente, em fubecar a campanha de Dilma Roussef. Reeditar o mesmo estratagema de 2006. Ganhar a eleição na mão grande. O delegado Onésimo (outro que acompanha o grupo desde os tempos do bureau de inteligência do Ministério da Saúde) seria despachado para contactar o inimigo. Pausa. Agora recortem os informes dos integrantes do ex-comitê de inteligência de Dilma: tanto Lanzetta quanto Amauri reportam que Onésimo sugeriu insistentemente ao comitê, a realização de ações de contra-inteligência contra Serra. O azar deles é que Amauri, jornalista macaco velho e com conhecimento da comunidade de informações, sentiu logo o cheiro de queimado e cortou, de pronto, as ofertas de Onésimo. Não houvesse a negativa de Amauri, o passo seguinte de Onésimo seria a oferta do dossiê (já pronto) com a quebra de sigilo fiscal dos 05 tucanos. Estaria pronta e armada a reedição do escândalo dos aloprados em sua segunda versão. A campanha de Dilma não resistiria. A versão dos aloprados de 2006, perto desta, seria pinto. Era o modo mais seguro de Serra se eleger presidente. Esse é o modus operandi de Serra.

Com a recusa do ex-comitê de Dilma em morder a isca, tiveram que refazer o plano. O PT aprendera com os aloprados de 2006. Dilma, nesse ponto, muito mais impositiva que Lula, decepa no nascedouro o comitê de inteligência. O projeto original se complicara. Com o dossiê pronto desde 2009, a solução era vazá-lo, aos poucos, para a mídia parceira. Primeiro, vaza-se o EJ. Cria-se uma comoção (se bem que EJ, como vítima, não ajuda muito). Depois, a conta gotas, vem o restante: Ricardo Sérgio, Marin Preciado e Mendonça de Barros. E por fim, a cereja do bolo: Verônica Serra. Observem que o momentum foi escolhido a dedo por Serra: a entrevista em um grande telejornal! De novo, a semelhança: em 2006, os pacotes de dinheiro do delegado Bruno saíram no Jornal Nacional, da Globo; agora, o momento ‘pai ultrajado’ de Serra, foi encenado no Jornal da Globo! A intelligentsia serrista já foi mais original.

Diante desse quadro, o leitor inquieto deve estar se perguntando: o que deve fazer o PT e a campanha de Dilma? Assistir, inertes, a mais uma escalada golpista, como foi a de 2006? Tentar fazer o contraponto em uma mídia claramente parcial, golpista e oposicionista, conforme confessou dona Judith Brito, diretora da ANJ? O que fazer? O governo sabe onde está o antídoto ao veneno golpista da oposição! Não sei até que ponto o jornalista Amauri Ribeiro Júnior está integrado à campanha de Dilma Roussef. Também não sei até que ponto vai o empenho dele em livrar o país do ajuntamento político mais nefasto que o infesta, desde a redemocratização. O fato é que o seu livro, Os Porões da Privataria, é esse antídoto! Esse livro, verdadeira bateria anti-aérea que pode abater o núcleo duro do tucanato ligado à Serra, e o próprio Serra, de uma só vez, pode ajudar o Brasil a virar uma das páginas mais negras de seu curto período democrático!


 


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

LULA x FHC: POR QUE OS DEMOTUCANOS EVITAM COMPARAÇÕES

Nas eleições de 2010 haverá duas novidades. A primeira é o fato de Lula não ser candidato. A segunda é que pela primeira vez haverá duas candidatas - Dilma e Marina.


Nessa edição do pleito presidencial mais uma vez demotucanos e petistas polarizarão a disputa. Ainda que Marina possa se apresentar para ocupar a cadeira do Palácio do Planalto não terá a mínima chance e o jogo se concentrará entre a oposição demotucana capitaneada pelo PSDB, e os partidos aliados, tendo o PT à frente.

Dois projetos estarão em jogo. Um conservador e elitista que levou o Brasil à bancarrota. Outro mudancista, que permitiu ao País trilhar novos caminhos, com a inclusão de grande massa do povo no processo produtivo.

No debate será inevitável as comparações entre o atual governo e a era FHC. Mas será essa comparação que permitirá ao povo definir com mais clareza sua escolha. Se quer voltar ao passado ou se quer avançar rumo ao futuro.

Para ficar mais fácil fazer essa escolha, basta comparar alguns dados. Em vinte itens, veja a situação do Brasil antes, com FHC e depois, com Lula.

Nos tempos de FHC, o Risco Brasil estava em 2.700 pontos. Nos tempos de Lula, 200 pontos.

O salário mínimo quando Lula assumiu a Presidência da República, em 2003, estava em 64 dólares. Agora, está entre 290 e 300 dólares.

O dólar que valia R$ 3, agora vale R$ 1,78. FHC não pagou a dívida com o FMI. Lula pagou-a em dólar.

A indústria naval, tão importante para o desenvolvimento do País, FHC não mexeu. Lula reconstruiu.

FHC não construiu nenhuma nova universidade. Lula construiu dez novas universidades federais. Quanto às extensões universitárias, no governo do tucanato não houve nenhuma. No governo Lula foram 45.

As escolas técnicas foram esquecidas na era FHC. Ele não construiu uma sequer. Lula construiu 214.

No campo da economia, as reservas cambiais no governo FHC foram 185 bilhões de dólares negativos. No governo Lula, 239 bilhões de dólares positivos.

O crédito para o povo/PIB no governo tucano foi de apenas 14%. No governo Lula, com as políticas anticíclicas, alcançou 34%.

Em relação à infraestrutura, FHC não construiu nenhuma estrada de ferro. Pelo contrário, as privatizou. No governo Lula, três estão em andamento.

Quando Lula assumiu o governo, 90% das estradas rodoviárias estavam danificadas. Agora, 70% estão recuperadas.

No campo da indústria automobilística, na era FHC, 20% em baixa. Na era Lula, 30% em alta.

Nos oito anos em que FHC presidiu o País, houve quatro crises internacionais, que arrasaram o Brasil. Na era Lula, foi enfrentada uma grande crise, que o Brasil superou em razão das reservas acumuladas e das políticas anticíclicas empreendidas pelo governo.

O cambio no governo FH era fixo, e estourou o Tesouro Nacional. No governo Lula é flutuante, com ligeiras intervenções do Banco Central.

A taxa de juros Selic atingiu na era FHC incríveis 27%. No governo Lula chegou ao seu menor percentual desde quando foi criada, em 1983, 8,5%.

A mobilidade social no governo tucano foi de apenas 2 milhões de pessoas. No governo Lula, 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza.

FHC criou apenas 780 mil empregos em oito anos. Lula criou 12 milhões.

O governo tucano nada investiu em infraestrutura. Com o PAC Lula pretende investir R$ 504 bilhões até 2010.
 
Por fim, no mercado internacional, o Brasil, no governo FHC não teve crédito. No governo Lula, o País foi reconhecido como investment grade pelas três maiores agências de classificação de risco internacionais. Ou seja, deixamos de ser um país em que o capital externo só entrava para especular para ser um país de investimentos.


Estas são as comparações que os demotucanos querem evitar a todo custo na peleja de 2010.