terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pelo 2º ano consecutivo, Petrobras está entre as 100 empresas mais sustentáveis do mundo

Companhia subiu 12 posições em relação ao ranking do ano passado, e ficou em 88º lugar. Ranking Global 100 analisou 3.500 companhias de 24 países e de todos os setores da economia.



A Petrobras aparece pelo segundo ano consecutivo entre as 100 empresas mais sustentáveis do mundo, segundo a 7ª edição do ranking Global 100, elaborado pela revista Corporate Knights, publicação canadense especializada em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. O ranking foi elaborado com base em uma pesquisa realizada pelas empresas Legg Mason’s Global Currents Investment Management e Phoenix Global Advisors LLC. Foram analisadas 3.500 companhias de 24 países e de todos os setores da economia.

Foram considerados dez indicadores ambientais, sociais e de governança, como uso de energia, destinação de resíduos, emissões de CO2 e transparência, entre outros. A Petrobras subiu 12 posições em relação ao ranking do ano passado, e ficou em 88º lugar, figurando mais uma vez entre as três empresas brasileiras da lista, junto com Natura (66ª) e Bradesco (91ª).



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O ciclo do carbono

O carbono está presente nos compostos orgânicos (aqueles presentes ou formados pelos organismos vivos) e nos inorgânicos, como grafite e diamante. C combina-se e é química e biologicamente ligado aos ciclos do O e H para formar os compostos da vida. CO2 é o composto orgânico de C mais abundante na atmosfera, mas compostos orgânicos como CH4 ocorrem em menor quantidade. Parte do ciclo do C é inorgânica, e, os compostos não dependem das atividades biológicas. O CO2 é solúvel em água, sendo trocado entre a atmosfera e a hidrosfera por processo de difusão. Na ausência de outras fontes, a difusão de CO2 continua em um outro sentido até o estabelecimento de um equilíbrio entre a quantidade de CO2 na atmosfera acima da água e a quantidade de CO2 na água. Co2 entra nos ciclos biológicos por meio da fotossíntese, e, a síntese de compostos orgânicos constituídos de C, H, O, a partir de CO2 e água, e energia proveniente da luz.

Abaixo segue um texto elaborado por Claudia Rocha Martins, Pedro Afonso de Paula Pereira, Wilson Araújo Lopes e Jailson B. de Andrade e publicado na revista Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola, n° 5, em novembro de 2003:

A importância do carbono e de seus compostos é indiscutível. Este é onipresente na natureza e seus compostos (e.g. proteínas, carboidratos e gorduras) são constituintes essenciais de toda a matéria viva, e fundamentais na respiração, fotossíntese e regulação do clima. Existe uma grande variedade de compostos de carbono envolvidos no seu ciclo global, dos quais serão abordados os principais compostos presentes na atmosfera: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), hidrocarbonetos não metânicos (HCNM) e monóxido de carbono (CO).

Figura 2: Ciclo global do carbono



Os reservatórios de CO2 na atmosfera, litosfera e oceanos são extremamente grandes. Os fluxos entre estes compartimentos são bidirecionais e quase em balanço, o que faz com que as estimativas de troca sejam difíceis.

A Figura 2 ilustra as principais rotas de troca estabelecidas para o CO2, em processos biogeoquímicos envolvendo os três compartimentos, enquanto a Figura 3 ilustra estimativas de quantidades aproximadas contidas em cada ambiente e os fluxos anuais (GtC/ ano) entre os mesmos.

Figura 3: Fluxos e quantidades de Dióxido de Carbono nos compartimentos

Figura 3: Fluxos e quantidades de Dióxido de Carbono nos compartimentos
As trocas de CO2 entre a atmosfera e a biosfera terrestre ocorrem principalmente através da fotossíntese e a respiração por plantas. Estes dois processos podem ser resumidos pelas seguintes equações:

Fotossíntese:

H2O + CO2 + hν → (CH2O)n + O2 (1)

Respiração:

(CH2O)n + O2 → CO2 + H2O + Energia (2)

Dessa maneira, parte do CO2 fixado segundo a equação 1, é reemitido segundo a equação 2. O restante será armazenado, na forma de biomassa, pelas folhas, caules, raízes, etc, no que é chamado de Produção Primária Líquida (PPL). Essa biomassa, ao ser consumida, como alimento, por organismos heterotróficos, é parcialmente reconvertida de forma imediata a CO2 pela respiração e, posteriormente, por processos de decomposição da matéria orgânica, através da morte de animais e plantas e ataque por microrganismos. No decorrer de um tempo suficientemente longo, a respiração e a decomposição dos organismos heterotróficos tende a balancear a PPL.

A fixação do CO2 pelos oceanos se dá através da dissolução do gás na água e por fotossíntese. A dissolução do CO2 pode ser expressa pelas seguintes equações:

CO2(g) ⇌ CO2(aq) (3)

H = 3,4 x 10-2 mol L-1 atm-1

CO2(aq) + H2O(l) ⇌ H2CO3 (aq) (4)

K = 2,0 x 10-3

H2CO3(aq) + H2O(l) ⇌ H3O+(aq) + HCO3-(aq) (5)

K = 4,3 x 10-7 mol L-1

HCO3-(aq) + H2O(l) ⇌ H3O+(aq) + CO32- (aq) (6)

K = 4,7 x 10-11 mol L-1

A espécie predominante irá depender do pH da água e das respectivas constantes de equilíbrio das reações. De modo aproximado, a 15 0C e valores de pH abaixo de 5,0, prevalece o CO2(aq), enquanto para pH acima de 10,5 prevalece o CO32-(aq). Para pH próximos a 8,0 praticamente só existe o íon HCO3-. No caso de oceanos, em que o pH da água está próximo a 8,0, a espécie solúvel predominante será, portanto, o íon bicarbonato, HCO3-.

A principal rota de transferência do CO2 para o fundo dos oceanos é pela sedimentação de carbonato de cálcio insolúvel, CaCO3, na forma de organismos formadores de exoesqueletos, como conchas, moluscos, etc. Sua decomposição ao longo de milhões de anos leva à formação de depósitos ricos em hidrocarbonetos (e.g. petróleo) e carvão. Outra parte é re-dissolvida por processos químicos e biológicos, permanecendo como fração solúvel.

O CO2 é também fixado na forma de carbono orgânico, pela fotossíntese de algas na superfície ensolarada das águas e pelo crescimento resultante do fitoplancton. Esse CO2 retorna à atmosfera através da respiração e decomposição da biomassa assim formada.

O balanço de massa no fluxo de CO2 entre a atmosfera e o oceano é resultado de um desequilíbrio nas concentrações desse gás entre os dois compartimentos, de acordo com a localização. Assim, em regiões próximas ao equador, as águas quentes favorecem uma transferência maior do oceano para a atmosfera, enquanto em médias e altas latitudes predomina o processo inverso, em que CO2 da atmosfera é dissolvido nas águas frias. Alguns modelos globais sugerem que há uma transferência líquida de CO2 da atmosfera para os oceanos na faixa de 2,0 ± 0,8 GtC/ano.

De acordo com medições efetuadas em camadas de gelo na Antártica, a quantidade de CO2 no ar, nos últimos 200.000 anos, variou entre 200 e 280 g/t, denotando uma grande estabilidade nos processos de formação e remoção e, assim, mantendo-se até o século 19, no limiar da revolução industrial. Nos últimos 130 anos, contudo, sua concentração aumentou dos originais 280 g/t a cerca de 360 g/t em meados da década de 1990, num aumento de quase 30%. Atualmente, esse aumento é de cerca de 0,5% anuais, o qual, caso mantido, dobrará a quantidade no tempo aproximado de um século e meio. Esse acréscimo é atribuído, principalmente, à queima de combustíveis fósseis e, em certo grau, aos processos de desflorestamento e queimadas. É interessante notar que a emissão total de carbono decorrente dessas atividades vem crescendo a taxas de 4,3% ao ano desde a revolução industrial, portanto cerca de oito vezes maiores do que as taxas de crescimento da concentração de CO2. Caso todo o CO2 emitido por estes processos permanecesse na atmosfera, seria esperada uma quantidade bem maior do que a atual. Existem, portanto, importantes mecanismos de remoção dessa produção excedente, sendo os oceanos um deles, através da absorção, enquanto a retirada de CO2 através de processos de replantio seria outro. Não obstante, é importante frisar que cerca de 3,3 GtC, líquidas, como CO2, estão sendo introduzidos na atmosfera do planeta a cada ano, com conseqüências globais sobre o clima, as quais vem sendo amplamente discutidas em diversos foros.

Revista Banas Qualidade

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Consciência Ambiental

Pesquisas realizadas recentemente afirmam que os brasileiros estão cada vez mais conscientes e preocupados com a questão ambiental. Assim, estão dispostos a colaborar e valorizar empresas que também se engajem nesta causa.

Segundo pesquisa realizada pela TNS Interscience, para os consumidores uma empresa que os respeita deve ter a responsabilidade social como um de seus valores.
















A pesquisa HSBC Climate Index 2007 destaca que os brasileiros são mais preocupados, comprometidos e otimistas com relação às mudanças climáticas que a média global.







De acordo com a pesquisa, as mudanças climáticas estão entre as maiores preocupações dos brasileiros hoje. Nossos cidadãos acreditam estar fazendo esforços pessoais para mudar seu estilo de vida em função destas mudanças e, assim como a maior parte da população mundial, estão preparados para estas mudanças. Já menos que 15% dos brasileiros acreditam que as empresas responsáveis pelas mudanças climáticas estejam fazendo o que é necessário para mudar este cenário.





Resultados divulgados pelo IBOPE em 2007 deixam clara esta preocupação dos brasileiros com o aquecimento global e mostra que 68% acreditam que esta seja uma prioridade de todos e imediata. A pesquisa da Edelman Trust Barometer 2007 reforça que para 74% dos latino-americanos esta também deveria ser a maior preocupação das empresas.







O estudo Future Shaper Brasileiros, realizado pela TNS Interscience recentemente, estima que no futuro os brasileiros estarão cada vez mais preocupados e engajados com a questão ambiental, valorizando empresas e produtos que não agridam o meio ambiente e que também contribuam para a comunidade.


Sustentabilidade - Da Teoria à Prática

Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, garantindo a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.



 
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.

Nos últimos anos, práticas de responsabilidade social corporativa tornaram-se parte da estratégia de um número crescente de empresas, cientes da necessária relação entre retorno econômico, ações sociais e conservação da natureza e, portanto, do claro vínculo que une a própria prosperidade com o estado da saúde ambiental e o bem-estar coletivo da sociedade.

É cada vez mais importante que as empresas tenham consciência de que são parte integrante do mundo e não consumidoras do mundo. O reconhecimento de que os recursos naturais são finitos e de que nós dependemos destes para a sobrevivência humana, para a conservação da diversidade biológica e para o próprio crescimento econômico é fundamental para o desenvolvimento sustentável, o qual sugere a utilização dos recursos naturais com qualidade e não em quantidade.





segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Política Nacional de Resíduos Sólidos e os acordos setoriais



A Política Nacional de Resíduos Sólidos deve ser mais um elemento positivo na criação de novos postos de trabalho. Se para as empresas especializadas em gestão de resíduos no país surgirá uma excelente oportunidade de expandir seus negócios, muitas dúvidas acerca da forma de gerenciamento dos resíduos sólidos ainda têm preocupado o meio empresarial.

O Decreto 7.404, publicado em dezembro último para regulamentar a lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos deixou indefinidos alguns pontos importantes para o empreendimento que precisa montar seu plano de gerenciamento de resíduos sólidos de acordo com suas atividades para não acumular multas. Em vez de estabelecer metas e responsabilidades para as empresas, acabou por delegar a efetiva implantação da Política Nacional a novos decretos, acordos setoriais e termos de compromissos.

Para as empresas interessadas em iniciar os trabalhos para realização dos acordos setoriais, o advogado empresarial José Daniel Lins Melo, da Crivelli Advogados, recomenda cautela enquanto não se tem toda a cadeia legislativa concluída. Para ele, “é temerosa a alocação de recursos que poderão ser comprometidos, caso venha surgir alguma norma que contenha disposições contrárias ao que restar estabelecido e que podem afetar a sustentabilidade do empreendimento”.

Segundo o especialista, os termos de compromissos podem ser uma alternativa aos acordos setoriais, “desde que contenham cláusula expressa de revogação do compromisso na hipótese de advir norma que obstaculize o cumprimento das metas”.

A formatação dos acordos setoriais será definida pelo Comitê Orientador, criado pelo mesmo decreto para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa e que também tem a missão de promover estudos e medidas de desoneração tributária das cadeias produtivas que serão afetadas pela obrigatoriedade da logística reversa, simplificando os procedimentos para cumprimento das obrigações dela decorrentes.

Enquanto isso, estados e municípios têm até agosto de 2012 para elaborar seus próprios planos de reaproveitamento, tratamento e eliminação do lixo orgânico e inorgânico, sob pena de não poderem utilizar os recursos federais do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento 2 para o tratamento de resíduos.

Com tantos atores e dúvidas, o momento é de cautela para Melo, para quem está por vir uma complexa legislação com diretrizes, princípios e metas que formarão todo o conteúdo normativo. Até lá, “os termos de compromisso podem ser uma boa alternativa para as empresa que querem se antecipar a lei’, orienta o advogado.

Vértice Comunicação

Banco Mundial apoia projeto para catadores de lixo no Brasil

Iniciativa de inclusão social conta ainda com financiamento do governo do Japão e da Caixa Econômica Federal.



Caixa Econômica Federal, o Governo do Japão e o Banco Mundial anunciaram uma parceria para promover inclusão social a cerca de 5 mil catadores de lixo no Brasil.

O financiamento, a fundo perdido, firmado na sexta-feira, é de US$ 2,7 milhões, equivalentes a cerca de R$ 5 milhões.

Condições Precárias

O projeto começará nos aterros sanitários de Jardim Gramacho e Itaoca, no Rio de Janeiro. Logo depois, viajará por outras partes do país atendendo a 5 mil pessoas na primeira fase.

O diretor do Banco Mundial no Brasil, Makhtar Diop, disse que a iniciativa ajudará a melhorar as condições precárias de trabalho dos catadores.

O projeto prevê melhorias nas áreas de saúde e segurança, aumento da produtividade e de renda e investimentos.

Pela iniciativa, devem se fechados até 2015, cerca de seis lixões para dar lugar a aterros sanitários modernos e ambientalmente sustentáveis.

Mais da metadade das cidades brasileiras tem populações de catadores de lixo.

Fonte: Correio do Brasil



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lixo e esgoto também são desafios ambientais, diz Izabella Teixeira

Acompanhem entrevista da brilhante ministra Izabella Teixeira ao Valor:


A bióloga Izabella Teixeira, 49 anos, fala rápido e lança questões dentro das próprias afirmações. Especialista em avaliação ambiental estratégica, a ministra do Meio Ambiente repete várias vezes a expressão “ampliar o debate” ou “construir a agenda”, traindo a base técnica de quem tem doutorado em planejamento ambiental. Talvez por isso, e por lembrar que 80% da população brasileira vive em zona urbana, Izabella mire as cidades em sua gestão. “Lixo e esgoto são dois dos principais problemas ambientais deste país”, diz, ao lembrar também que é preciso dar novo desenho à dinâmica de mobilidade das cidades brasileiras. Fala, emocionada, da invisibilidade dos catadores de lixo em um País campeão de reciclagem, mas que não os enxerga nem reconhece nas políticas públicas. “Eles, os catadores, são verdadeiros ecologistas de plantão.”

Nascida em Brasília e funcionária de carreira do Ibama há 26 anos, Izabella fala em consenso e convergência. É assim que enxerga as políticas de clima e de biodiversidade, de recuperação de áreas degradadas a partir de estudos de viabilidade econômica, das políticas ambientais em harmonia com as de desenvolvimento. “Caso contrário”, vaticina, “cada um vai para um lado.”

Braço-direito do então ministro Carlos Minc, assumiu a pasta em abril de 2010, quando ele deixou o MMA para lançar a campanha a deputado estadual no Rio de Janeiro, e foi confirmada no cargo pela presidente Dilma Rousseff. Sem o espírito midiático do antecessor e muito diferente da personalidade inspiradora de Marina Silva, a nova ministra fala em diálogo: “O Ministério do Meio Ambiente tem que ser um ministério facilitador, que formule políticas com outros parceiros. Nós não fazemos nada sozinhos”, explica em frase-síntese da marca que quer imprimir à sua gestão.

Ela parece também querer dar ares internacionais ao ministério, acompanhando a estatura que o país começa a assumir. Diz que o Brasil tem que liderar a pauta de florestas no mundo e que, aqui dentro, há que se pensar no aumento das áreas protegidas no mar. Enxerga os outros países amazônicos como parceiros e pretende trabalhar projetos em comum. Passou o último dia de 2010 reunida com uma delegação chinesa, falando sobre planejamento estratégico dos recursos hídricos. Tem na mesa um projeto que lhe é particularmente caro e está discutindo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – dar destino nobre ao enorme volume de madeira ilegal apreendida na fiscalização do desmatamento. Ela pretende articular um programa de construção de casas aos povos da floresta, que não vivem em habitações de alvenaria. “A partir do crime ambiental a gente traz cidadania ambiental”, imagina. A seguir, trechos da entrevista que ela concedeu ao Valor:

Valor: Quais são as suas prioridades neste início de gestão?

Izabella Teixeira: Na agenda ambiental é meio complicado dizer onde priorizar. Melhor pensar o que é estratégico.

Valor: Qual será a sua marca no ministério?

Izabella: Quero mencionar quatro ou cinco coisas que serão importantes na gestão. O Brasil tem uma importância estratégica no cenário internacional nas questões ambientais. É um líder e tem que assumir essa liderança não só no setor público como no privado. Temos que atuar entendendo quais as implicações dos grandes debates econômicos e sociais do planeta nas questões ambientais. E não ficar restritos aos fóruns tipo conferências, mas participar de reuniões que sejam importantes.

Valor: Por exemplo…?

Izabella: Se há uma discussão relevante em fóruns econômicos, ou em relações bilaterais, com a Alemanha, Portugal, China, é fundamental que o ministério participe com uma agenda sólida de debate e interlocução.

Valor: No dia 31 de dezembro, a senhora se reuniu com uma delegação chinesa. Qual a pauta?

Izabella: O chefe da delegação era o ministro dos Recursos Hídricos da China e nós fechamos um entendimento de cooperação em recursos hídricos. Aliás, temos muito interesse na cooperação ambiental com a China.

Valor: O que isto significa?

Izabella: Cooperar na experiência de gestão estratégica e de riscos no planejamento de recursos hídricos, e no uso desses recursos, em particular para a geração de energia. Nós fizemos o plano estratégico do Araguaia-Tocantins, por exemplo, em que se prevê a conciliação do uso múltiplo das águas com a agenda do desenvolvimento. Os chineses têm interesse nisto.

Valor: Eles têm interesse no jeito em que a gente faz esses estudos?

Izabella: Na maneira em que a gente faz, na formação e qualificação de quadros, na troca de experiências e de tecnologias.

Valor: E como é que vocês fazem? Olham a bacia hidrográfica e estudam seu uso?

Izabella: A Agência Nacional de Águas faz os planos estratégicos das bacias hidrográficas do país. Estamos discutindo agora, por exemplo, a margem direita do Amazonas. Planejamos, em função dos vários usos, sugerimos os limites e damos diretrizes de como aquilo pode ser usado. Já estão ali as usinas hidrelétricas desenhadas e as futuras. No caso do Araguaia-Tocantins, a reflexão que fizemos em relação à importância da biodiversidade local, do turismo, do abastecimento, do uso para irrigação e para a pecuária levou o presidente Lula a decidir excluir o Médio Araguaia de qualquer aproveitamento hídrico com relação à geração de energia.

Valor: E é nesse tipo de coisas que os chineses estão interessados?

Izabella: Estão interessados no uso de instrumentos como esse para tomada de decisão. Também estão interessados no nosso monitoramento de vulnerabilidade a enchentes.

Valor: A senhora tem dito que tem uma agenda imensa de trabalho. Por onde começar?

Izabella: Na pauta da biodiversidade, temos um desafio monumental de trabalho para os próximos dois anos, no pós-Nagoya, com vistas à CoP-11, na Índia, onde vamos discutir os recursos financeiros necessários. Até lá pretendemos ter consolidado nossas áreas protegidas, mas também pensado na sua expansão, especialmente nos ecossistemas marinhos e costeiros, onde está nossa maior deficiência. As metas de Nagoya recomendam que se tenha 17% de áreas protegidas nos ecossistemas terrestres e 10% nos marinhos. No mar nós só temos 1,5%.

Valor: Temos que discutir onde fazer estes parques?

Izabella: Onde, como, se são só parques, se podemos conciliar usos, como potencializar recursos. Vamos ter que discutir com toda a sociedade. Aí tem a convergência de biodiversidade com a agenda de clima. Temos que pensar onde podemos estar mais vulneráveis, onde está o risco. Sem falar nas florestas, que é um tema absolutamente estratégico para o Brasil. Somos o país com a maior extensão de florestas do planeta e temos que ter liderança nessa agenda. Precisamos pensar não só na conservação, mas na recuperação de áreas degradadas com uso econômico de maneira sustentável. Temos que pensar quais as áreas degradadas deste país e qual a economia que podemos associar a elas.

Valor: Qual é esta área, quanto temos de áreas degradadas?

Izabella: Esse número é um mistério. Já ouvi desde 20 milhões a 60 milhões de hectares. Cada um diz uma coisa porque cada um tem um conceito sobre o que é área degradada. Aqui temos que ter a visão da expansão da infraestrutura no Brasil para pensar em custos e competitividade. Podemos ter área degradada onde não se consegue implantar nada porque não se consegue transportar.

Valor: Está longe de tudo?

Izabella: Porque ali as estradas deixaram de existir ou transportar por estradas não é a melhor via. Qual é o modelo? São vários, não há um único. Mas é claro que em um país com esta extensão e que, no cenário mais conservador, tem 20 milhões de hectares de áreas degradadas, não tem sentido desmatar e perder biodiversidade. Se tivermos uma reflexão de natureza estratégica e econômica, poderíamos construir ali, a médio prazo, situações que chamamos de win-win. Temos que ver qual é a lógica de mercado, que mercado queremos induzir nessas áreas e cruzarmos com as questões sociais. Um exemplo disso é o exitoso projeto de óleo de palma, em escala menor, que o presidente Lula lançou em 2 milhões de hectares no Pará, em 2010. Queremos mostrar que é possível incrementar a produção agrícola, da agroecologia, da agricultura familiar, ter floresta plantada, ter incremento tecnológico e não provocar desmatamentos.

Valor: Isso na Amazônia…

Izabella: No Cerrado ou até na expansão urbana. Um exemplo que acho fascinante foi o que aconteceu no Rio, com a Ingá Mercantil, que faliu na baía de Sepetiba. Cada dia que chovia no Rio de Janeiro a gente achava que aquilo podia romper e contaminar de metais pesados a baía, era um enorme passivo ambiental. Fizemos um arranjo econômico, houve um leilão, aquilo está sendo modernizado. Não tive de abrir novas áreas e recuperei a baía. Quando a gente fala de área degradada não é só rural. Isto é importante, 80% da população do Brasil é urbana. Temos que discutir a qualidade ambiental urbana. Vamos resgatar, com o Ministério das Cidades, a pauta das cidades sustentáveis. Tem muito o que debater, as áreas protegidas nas áreas urbanas, que pouco se fala no Brasil, por exemplo. Não discutimos qual é o processo de expansão das cidades nos diversos biomas. A dinâmica de expansão das cidades na Amazônia não é a mesma da dinâmica de expansão de cidades no Centro-Oeste ou no Sudeste.

Valor: Cidades sustentáveis? O que tem em mente?

Izabella: Temos que trabalhar a mobilidade nas cidades e a poluição do ar associada a isso, e ainda, relacionar com um tema maior, que é o clima. Precisamos dar coerência às políticas ambientais. É importante que tenham coerência e convergência com as políticas de desenvolvimento. Caso contrário, cada um vai para um lado. Há uma pauta riquíssima em saneamento, em resíduos sólidos. O cidadão brasileiro tem que se apropriar da temática ambiental além da fronteira da fiscalização e do licenciamento. Isso tem a ver com a qualidade de vida dele, principalmente de quem vive nas grandes cidades

Valor: O que quer dizer?

Izabella: Tem que compreender que é parte da construção dessas soluções. Fizemos uma pesquisa em 2009 sobre produção e consumo sustentáveis, que mostra o que as pessoas pensam sobre meio ambiente. A reciclagem, todo mundo acha ótimo, é surpreendente. Em 11 capitais, em todos os perfis de renda, todos concordam que a reciclagem é um passo estratégico para o ambiente. E quando se pergunta quais são os atores responsáveis pela reciclagem, 63 % apontam os catadores. Mas não se fala qual é o papel do catador nas grandes cidades brasileiras. Se os tirarmos das ruas, e eles são 800 mil, quanto temos que adicionar de serviço público? Essa é uma pergunta que nunca ninguém faz. Há um grande preconceito social em relação ao catador, as políticas públicas não o enxergam, não se inclui o catador na economia formal, as prefeituras não os remuneram. E isso é um desafio, reconhecer esses ecologistas de plantão. Sem falar que temos pela frente uma grande provocação.

Valor: Uma provocação? Qual?

Izabella: Os grandes eventos que o Brasil vai sediar nesta década. Temos a Rio +20, a Copa, as Olimpíadas. São grandes intervenções que vão falar de temas ambientais. Vamos falar de sustentabilidade olhando para o futuro. Somos um país urbano.

Valor: Mas algum dia vamos enxergar que as estradas da Amazônia são os rios?

Izabella: Temos que enxergar. As culturas locais têm que ser respeitadas. Vamos trabalhar com as populações tradicionais, com os assentados, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Temos um projeto de habitação rural que leva em conta que eu tenho 1 milhão de metros cúbicos de madeira apreendidos. Quero transformar isso em casas de madeira para populações tradicionais e assentados. Vamos ver se é viável e fazer. Temos responsabilidades com esse pessoal, eles cuidam da floresta para a gente e o Ministério do Meio Ambiente não cuida só da fauna e da flora. Assim, a partir do crime ambiental a gente traz cidadania ambiental, na forma de casas dignas para as populações extrativistas. E respeita a sua cultura. Eles não vivem em casas de alvenaria.