terça-feira, 28 de setembro de 2010

Do R7: Boatos tentam desestabilizar reta final da campanha de Dilma


Uma falsa declaração atribuída à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, circula na internet com o fim de desestabilizar a candidatura da petista nesta reta final da campanha, a cinco dias da eleição. De acordo com e-mails e mensagens repassadas pela web, Dilma, que lidera a disputa de acordo com todos os institutos de pesquisas, teria dito: “nem mesmo Cristo me tira essa vitória. As pesquisas comprovam o que eu estou dizendo, vou ganhar no primeiro turno”.

A declaração, no entanto, nunca existiu, de acordo com a equipe de campanha de Dilma e se deve ao “jogo baixo” utilizado pelos seus adversários durante a campanha.

Diferentemente da declaração atribuída a ela, a candidata do PT tem dito, sempre que questionada, que pesquisa não ganha eleição e a definição só ocorre no dia 3 de outubro, quando os eleitores forem às urnas.

Em campanha em Curitiba (PR), em julho, a candidata negou qualquer “salto alto”.

- Ninguém pode subir no salto alto e sair por aí achando que já ganhou. Até o dia 3 de outubro, muita água vai rolar debaixo da ponte.

A declaração foi repetida em evento em Mauá, na grande São Paulo, em evento de campanha no dia 21 de agosto.

- Eleição a gente não ganha com pesquisa. Eleição a gente ganha respeitando o voto do povo brasileiro. Peço para vocês muita atenção, muito empenho e muita garra, porque, de hoje até o dia 3, nós vamos disputar cada voto.





Marido de Marina Silva está envolvido até o pescoço com denúncias de corrupção



Ontem, no debate da Record, a candidata Marina Silva acusou a Dilma falando em escândalos de corrupção.Mas Dilma respondeu à altura dizendo que se comportou na Casa Civil, da mesma forma que Marina se comportou no Ministério do Meio Ambiente, pois Marina também teve casos de corrupção na venda de madeira ilegal no período em que esteve no ministério, e teve que afastar funcionários.

Quando acusa, a Marina se esquece de que o seu marido é acusado pelo Ministério Público Federal por irregularidades na extinta Sudam. Veja mais abaixo o processo no STF.

Essas informações foram publicadas no blog do ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares:

“O técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, casado com a ex-ministra Marina Silva é acusado de irregularidades na extinta Sudam. Lima teria beneficiado ilegalmente a Usimar em São Luis, com recursos do Fundo de Investimentos da Amazônia.

O número do Protocolo é 2004/39053 e a data de entrada no STF é de 13/04/ 2004. O número do processo é 200137000080856 e a origem é o Maranhão. São 11 volumes com 3097 folhas e 19 apensos. O requerente é o Ministério Público Federal.

Lembram-se da Usimar? Era para ser uma grande indústria de fundição. O valor aprovado foi de mais de R$ 600 milhões. E o governo do Maranhão para garantir a aprovação do projeto contra o parecer dos técnicos da Sudam exigiu que a reunião da Sudam fosse realizada aqui onde o projeto acabou aprovado, sob pressão da governadora. A Sudam chegou a liberar R$ 40 milhões que sumiram sem explicação. Só ficou um calçadão no local. Está indo bem devagar, mas deve andar.

(…)”
http://josereinaldotavares.blogspot.com/2008/05/contraponto_22.html

O trecho de texto acima diz que o valor aprovado foi mais de R$ 600 milhões. Mas, na placa colocada no canteiro da obra diz que o valor é de R$ 1.380.054.840,00. Veja no link abaixo a foto do local, completamente abandonado, com o valor da obra na placa:

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_AfmnSEKMb4_C6tKvkB6NmKRwtG4lGCevgWs3vSI0Pl3LhbmDcYxEcxPgvdNOdyC4AZ_aebCcD1XGoEub5zJmPJuCoWJqnbnMiM0qpN0BNWF9uMjTkUz6ztO5lBlXQVUcAiqvapdn314/s1600-h/PlacaUsimar+2.jpg


Curiosidade:

Veja que na mesma relação do STF dos acusados pelo MPF de improbidade administrativa, além do nome de Alexandre Firmino, marido da Sra. Lina Maria Vieira, está o nome do técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, marido da Sra. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima ou ex-Ministra Marina Silva e candidata à presidência:

“PROCEDÊNCIA

Número: PROC/200137000080856

Orgão de Origem: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Origem: MARANHÃO

Volume: 11 Apensos:19 Folhas:3097 Qtd.juntada linha: 0

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Ramo do Direito

Assunto

DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO
Atos

Administrativos
Improbidade Administrativa

Folhas 3097

Data de Autuação 19/04/2004

PARTES

Categoria Nome

REQTE.(S) MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL


REQDO.(A/S) FÁBIO VAZ DE LIMA

(…)

REQDO.(A/S) ALEXANDRE FIRMINO DE MELO FILHO”



http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoDetalhe.asp?numero=3138&classe=Pet&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M


O STF enviou o processo para a Vara Federal do Maranhão em 09/09/2008.

Mês que vem fará um ano que o processo está parado no Maranhão:

“Guia: 11344/2008

Data de Remessa: 09/09/2008

Data de Recebimento: 09/09/2008″

http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoDeslocamento.asp?numero=3138&classe=Pet&codigoClasse=0&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M


Posso imagina o que a velha imprensa faria com essa informação se fosse com a Dilma.

sábado, 25 de setembro de 2010

Cidadania, democracia, luta contra a censura são nossas bandeiras e não da direita golpista

Por Conceição Oliveira no Blog Maria Frô

Existem alguns posts aqui no Maria Frô no qual eu me mostro bastante surpresa com o triplo escarpado hermenêutico da extrema-direita brasileira em querer se apropriar da memória e história do Brasil de modo unilateral.

Como é que ela tenta fazer isso? Ignorando os fatos e fazendo enormes malabarismos para posar de defensora da democracia.

A direta brasileira faz revisionismo dos mais pobres e como tal só convence aos desinformados e que têm espírito autoritário, pois é tão truculenta no modo de impor suas ‘verdades’ que até pessoas – sem grandes conhecimentos da História – percebem que há incongruências nesse discurso.

Essa velha direita que resiste em parceria com algumas redações é também inculta e preguiçosa. Vive dando vexame porque sequer faz breve pesquisa para sustentar suas fantasias, veja por exemplo aqui e aqui.

Democracia para esta tchurma é ela poder criminalizar os movimentos sociais, ver reverberar seu mantra único com seus inúmeros preconceitos e nunca ser questionada.

Mas vivemos novos tempos, a internet (que sempre foi criticada pelas tevês) e a blogosfera (que nos últimos tempos alvo dos jornalões) vêm dia após dia fazendo essa tchurma passar vergonha. (Comecei a escrever este ontem pela manhã e no começo da noite no o twitter mais uma vez desmente notícia falsa da mídia velha e a faz passar carão).

Antes de relatar minhas impressões sobre o nosso ato que como o outro da direita raivosa são provas cabais de que vivemos em uma democracia com ampla e irrestrita liberdade de expressão, deixa-me fazer mais uma observação sobre a mídia velha:

O Globo que não conhece o Google e antes de nossa manifestação disse que foi Lula que chamou o ato contra golpismo midiático no comício em Campinas, mais uma vez mente ao dizer que foi um ato do PT (veja especialmente a legenda da foto publicada por O Globo). Atenção O Globo! NÃO HAVIA UM ÚNICO REPRESENTANTE OFICIAL DO PARTIDO NO ATO. Isso aliás me deixou fula da vida com o PT e, igualmente, com o PSOL.

Não faltou registro deste ato, impressionante a quantidade de câmeras, vídeos, celulares e afins, mas parece que isso não garante que a velha mídia relate os fatos tal como ocorreu.


Vamos ensinar jornalismo para O Globo: nós blogueiros chamamos o ato via o Centro de Mídia Barão de Itararé, MUITO ANTES DO COMÍCIO DE CAMPINAS, o ato recebeu o apoio das Centrais Sindicais, do MST e outros movimentos sociais e de alguns partidos de esquerda entre eles o PCdoB o PSB e PDT.

Pronto, agora, posso falar do ato.

Vários blogueiros fizeram antes de mim uma boa síntese sobre as lideranças e instituições presentes no ato, leia especialmente o texto do Raphael Tsaavko e do Renato Rovai, assim como a cobertura do Sindicato dos Jornalistas e do Vermelho.

Alguns blogueiros com mais ou menos humor também deram suas impressões: Rodrigo Vianna, em seu melhor dia de Professor Hariovaldo, me fez rir bastante com o seu post: Passei calor pra atentar contra as liberdades! Professor Emir Sader aproveitou o seu post sobre o ato pra publicar o abaixo-assinado que este blog também reproduziu aqui. Eduardo Guimarães também fez seu relato e publicou vídeos, um deles de sua fala bem-humorada e representativa da sensação da blogosfera diante da cara de pau da grande mídia de lucrar milhões e nos acusar de ser um risco à democracia.

Quanto a mim além do calor infernal, da pressão arteriar baixar com o calor insuportável de um espaço que não comportava tanto ‘blogueiro sujo’, me emocionei várias vezes.

Emocionei-me quando Gilmar Mauro, representante do MST, disse que o dia em que a mídia velha noticiar uma única linha positiva sobre os sem terra é que o movimento passou a fazer tudo errado. Os sem terra sabem o que dizem. Eles estão acostumados a ser criminalizados pela mídia velha e carcomida e a não ter o direito de resposta.

Fico esperançosa quando vejo o MST, o maior e mais bem organizado movimento social do Brasil, com a clara noção de que informação é poder e que precisamos nos empoderar criando nossos próprios canais de comunicação.

Um dos dirigentes de uma das centrais sindicais, CGTB, narrou-nos como foi abordado por um ‘jornalista’ pelo telefone: O senhor vai ao ato em favor da censura? E ele respondeu: Não. Vou ao ato em favor da democracia!

Miro, meu querido amigo, estava literalmente pingando no espaço apertado que se tornou o auditório do Sindicato dos Jornalistas, se você reparar no vídeo deste post aqui, verá ele sequinho no começo do ato e completamente encharcado ao final. Mas nada disso tirou o brilho e a força de sua indignação na leitura do documento final da manifestação que era também a de todos ali presentes e a de milhões de cidadãos Brasil afora.

Muitos se manifestaram, eu produzi alguns vídeos que não tive tempo de subir para o youtube, farei quando der e completarei este post, mas a fala mais expressiva da noite foi talvez da figura pública mais achincalhada por esta mídia velha e carcomida: Erundina.

Esta mulher nordestina ousou se candidatar para governar a cidade de São Paulo e eleita ousou administrar focando os mais humildes em suas políticas públicas. Por tanta ‘ousadia’ sofreu todo o tipo de humilhação que só um império midiático que não aceita de modo algum o povo no poder pode fazer.

Por isso a sua fala é forte, cheia de vida, de verdades escarradas. Por isso ela foi aplaudida desde a hora que entrou e depois do seu belo discurso só nos restou cantar em alto e bom som nosso hino nacional, porque o Brasil pela primeira vez é de muitos brasileiros, e não apenas de um grupo encastelado há séculos no poder com suas demandas protegidas e reverberadas por figuras tristes da mídia velha e carcomida.

Brasil recebe “17 medalhas de ouro” na Gestão das Finanças Públicas

O Banco Mundial divulgou neste mês o resultado da avaliação sobre o desempenho da Gestão de Finanças Públicas no Brasil, baseada nas pontuações do programa PEFA (Public Expenditure and Financial Accountability). O Brasil recebeu 17 notas “A”, o que fez o país ultrapassar nações consideradas referência na gestão de finanças públicas, como a Noruega. As principais conquistas, segundo artigo publicado no Blog do FMI, se referem à forte gestão da dívida, publicação de relatórios fiscais periódicos, uma conta única e abrangente do Tesouro Nacional e um portal da transparência na internet com informações detalhadas sobre as despesas públicas.

O programa PEFA apresenta metodologia padronizada aplicada a diversos países com o objetivo de avaliar os processos de planejamento orçamentário, controle de gastos, relatórios e contabilidade. O foco do programa é disseminar uma cultura de controle e transparência no setor público. O relatório cita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) como um marco para as boas práticas na gestão financeira, ao estabelecer regras para gastos públicos, gestão de dívida, elaboração do orçamento, entre outros.

O Portal da Transparência do governo federal também foi mencionado como fundamental para a avaliação positiva do Brasil. O relatório ainda destacou como abrangente e confiável o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), base de informações sobre os gastos e despesas do governo federal.

O documento, que coletou informações de 2009, ainda aponta alguns pontos fracos no Brasil, como o planejamento fiscal com horizonte superior a um ano, os riscos fiscais associados a empresas estatais e uma maior divulgação dos relatórios de auditorias externas. Em todos esses indicadores, o país obteve “C” ou “D”. Quanto ao investimento público, a equipe do Banco Mundial reconhece as importantes medidas adotadas no Brasil nos últimos anos a fim de melhorar o desempenho da carteira de investimentos. O documento sugere como desafio, porém, que o Brasil ponha em prática medidas para aprimorar a seleção, aprovação e execução de projetos de investimento público.

Especialistas comentam resultados

Para o economista Hélio Tollini, consultor de orçamento da Câmara dos Deputados e ex-servidor do FMI, é raro um país em desenvolvimento superar nações desenvolvidas em aspectos da gestão financeira pública. “Apesar de ter obtido avanços importantes nessa área há muitos anos, nunca houve o reconhecimento internacional ao Brasil quanto a isso”, afirma. Ele acredita que o relatório foi justo, tanto no que diz respeito aos pontos fortes quanto aos pontos ainda carentes.

“Sabemos que a prestação de contas feita anualmente pelo presidente é corretamente auditada pelo Tribunal de Contas da União, normalmente dentro dos prazos legais permitidos. Mas o Congresso Nacional não demonstra real interesse em apreciá-lo com tempestividade”, lamenta Tollini. Ele ressalta que os relatórios do tribunal parecem ficar propositalmente “guardados por vários anos, para serem utilizados como instrumentos políticos em casos oportunos”.

De acordo com Mario Pessoa, autor do artigo “With 17 gold medals Brazil beats Norway on the PEFA assessment!”, publicado no Blog do FMI, outra área de vulnerabilidade está nas empresas estatais. “Com mais de 100 estatais, com receitas totais próximas a 10% do PIB, as empresas controladas pelo governo federal correspondem juntas ao tamanho de todo o setor municipal no Brasil. Em algumas áreas, a influência do governo é particularmente pronunciada, como nos de petróleo, geração de energia e financeiro”, afirma.

Para Pessoa, a complexidade e tamanho das empresas estatais representam um desafio em termos de supervisão, controle e transparência, “mesmo considerando uma estrutura legal que impõe regras sofisticadas de governança”. “O Brasil deve ser elogiado por essa avaliação e pelos excelentes resultados obtidos até agora. O mais importante, no entanto, é que essa avaliação mostra que mesmo os países mais avançados podem se beneficiar imensamente de um exame independente, transparente e sincero de seus sistemas de gestão de finanças públicas”, conclui.

Por Milton Júnior

Do Contas Abertas

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Imprensa lixo e cara omite da população a matéria de Carta Capital que denuncia mega-quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros promovida por filha de Serra e a irmã do Daniel Dantas**

Velha mídia ignora denúncia envolvendo filha de Serra


Por João Peres, Rede Brasil Atual

Ombudsman da Folha cobra que jornal tenha equilíbrio na cobertura e empresário citado por Veja desmente informações

São Paulo – Duas reportagens publicadas neste fim de semana tinham a tarefa de agitar o noticiário eleitoral. A primeira, sob o título Sinais trocados, foi publicada por Leandro Fortes em Carta Capital e narra o episódio em que a empresa de Verônica Serra, filha de José Serra, deixou, em 2001, os dados bancários de 60 milhões de brasileiros expostos a visitação pública durante 60 dias. A segunda, publicada pela revista Veja, conta que o filho da ministra-chefe da Casa Civil supostamente vende facilidades aos que querem fechar contratos com o Estado.

Uma delas, no entanto, foi ignorada pelos jornais de maior peso, os chamados “jornalões”. Não é difícil imaginar qual. A reportagem de Leandro Fortes sobre Verônica Serra não ganhou uma linha em O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. A matéria de Veja, por outro lado, foi o destaque de capa de dois deles, que dedicam boa parte de seu noticiário dominical à repercussão do tema.

O candidato do PSDB, que vem sendo convidado diariamente a opinar sobre a quebra de sigilo fiscal de sua filha, foi novamente ouvido. Não sobre o episódio da Decidir.com, empresa que tinha sua filha como sócia, mas sobre a Capital Assessoria e Consultoria, do filho de Erenice Guerra, sempre apresentada como “braço-direito” de Dilma Rousseff.

Diferenças

É um bom exercício para o começo desta semana imaginar por que os jornais nada noticiaram sobre a reportagem de Carta Capital. A revista sofre de falta de credibilidade? Certamente não. Além de contar com a assinatura de Mino Carta, um dos jornalistas de melhor reputação do país, a revista não tem, ao longo de sua existência, um histórico de desmentidos e de distorção de fatos.

Quanto a Veja, reputação ilibada não tem sido um sinônimo da semanal da Abril. Foram muitos os episódios em que especialistas e autoridades tiveram de vir a público afirmar que nada haviam dito à revista ou que tiveram suas falas distorcidas. Este caso não é diferente. Fábio Baracat, empresário que aparece na reportagem deste fim de semana afirmando ter sido obrigado a negociar o pagamento de propinas com Ismael Guerra, emitiu nota mostrando-se “surpreendido” pela reportagem.

“Primeiramente gostaria de esclarecer que não sou e não fui funcionário, representante da empresa Vianet, ou a representei em qualquer assunto comercial, como foi noticiado (…) Durante o período em que atuei na defesa dos interesses comerciais da MTA, conheci Israel Guerra, como profissional que atuava na organização da documentação da empresa para participar de licitações, cuja remuneração previa percentual sobre eventual êxito, o qual repita-se, não era garantido (…) Acredito que tenha contribuído com o esclarecimento dos fatos, na certeza de que fui mais uma personagem de um joguete político-eleitoral irresponsável do qual não participo.”

Motivos

A vontade dos grandes jornais em mostrar episódios que possam enfraquecer a candidata Dilma Rousseff gera estranheza até mesmo dentro dessas redações. Na última semana, a Folha publicou que um erro da ex-ministra havia provocado prejuízo de R$ 1 bilhão. A notícia, sem base real, virou motivo de piada na internet, e um viral reproduzido pelo Twitter entrou para os principais tópicos mundiais da rede social.

Neste domingo, a ombudsman Suzana Singer chama atenção dos editores da Folha. “O jornal avançou o sinal.” Ela complementa: “Foi iniciativa de Dilma criar a tal tarifa social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso.” A ombudsman pede que o jornal deixe o próprio leitor chegar a suas conclusões, sem direcionamentos, e lembra que não tem havido a mesma crítica à gestão de Serra em São Paulo. “A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo – e não ter medo de crítica – sempre foram características preciosas deste jornal.”

Neste momento, como os institutos de pesquisa indicam que é muito pequena a possibilidade de Dilma perder a eleição, é preciso considerar outros interesses na divulgação de algumas notícias. O Painel da Folha dá uma pista ao falar do caso: “Até agora, ela era dada como nome certo num eventual governo Dilma.” O blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, levanta uma indagação: “Será que tem o dedo de outros candidatos ao cargo na capa da Veja? Ou será que o Civita quer indicar o primeiro-ministro de um eventual governo Dilma?”

Mora aí uma diferença fundamental das atuais eleições. Ainda não se sabe qual será o real impacto da internet sobre os números finais da votação de 3 de outubro, mas a rede se converteu em um espaço para tentar difundir propostas – a favor ou contra os candidatos – e notícias que são ignoradas pela mídia comercial.



E MAIS:

Carta Capital conta a história de Verônica Serra

Por: Leandro Fortes*

Revista mostra como filha de candidato tucano quebrou o sigilo de 60 milhões de contribuintes

Em 30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.

Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.

Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.

Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.

Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.

Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires, mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.

Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.

Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.

Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.

De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town, Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.

Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.

Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada” pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.

* Publicação da Carta Capital

** Logo pela manhã, ouvindo aquele locutor da Bandeirantes AM de São Paulo, o José Paulo de Andrade, com sua voz tonitruante, séria e autoritária imprimindo um tom de grande gravidade enquanto fala sobre as “denúncias” da revista vEJA, enquanto ignora e omite a seu público a existência da matéria de Carta Capital, é prá começar bem mal o dia do peão, não? Ou o cara ignora as denúncias da revista do Mino Carta, ou ele escolheu não falar nada ( acho que é a segunda opção ). Apresentando-se como um cara “autoridade”, ele me convenceu de sua competência profissional. Logo, se ele não fala da Carta Capital, não é por ignorância, mas por opção pura e simples. A verve democrática, dessa nossa velha mídia isenta e imparcial…