terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Biogás: uma referência para a pesquisa


Da Agência Ambiente Energia - Na semana passada, 10 instituições de pesquisa do Brasil e do exterior estiveram reunidas no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) para formatar o Centro Internacional de Energias Renováveis – com ênfase em Biogás (CIER-Biogás). O lançamento do centro será feito durante a cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho, no Rio de Janeiro.

“Paradoxalmente, o centro será uma entidade descentralizada”, resume o superintendente da Assessoria de Energias Renováveis (ER.GB) da Itaipu, Cícero Bley Júnior. “A ideia é não concentrar as pesquisas em um único lugar, mas fazê-las de forma disseminada. As próprias características do biogás nos força a isso: cada região tem sua realidade.”

Para Bley, a maior qualidade no processo de criação do CIER-Biogás é que todas as ações têm resultado concreto, como é o caso, por exemplo, do Condomínio Ajuricaba, que já está em funcionamento em Marechal Cândido Rondon (PR). Ele lembra que a verba para manter o centro está assegurada no orçamento de Itaipu até 2015 e que há muitas outras fontes previstas de financiamento.

Coordenado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), o futuro centro será o primeiro destes moldes na América Latina e o único do mundo com ênfase em biogás. A Onudi já tem outros centros com ênfase em outras fontes de energia renováveis.

Nos últimos dois dias, Bley Júnior apresentou a ideia do centro aos representantes das entidades – entre eles, o diretor técnico da Onudi, Dmitri Piskounov. Na tarde de quarta-feira, eles visitaram o Condomínio Ajuricaba (mais informações abaixo).

“O que o Brasil vem fazendo na área de agroenergia é importante, porque pode ser levado ao continente africano”, afirma Piskounov. De acordo com ele, na África há muita matéria orgânica desperdiçada que poderia ser aproveitada como combustível. “E para isso, contaremos com a expertise do Brasil”, conclui.

O Condomínio Ajuricaba – No total, 33 propriedades contam com biodigestores, que fazem o tratamento dos dejetos da pecuária. Depois de serem digeridos por microorganismos, os resíduos produzem biogás, que é canalizado para uma microcentral termoelétrica. Os resíduos finais são armazenados em um lago e bombeados para a pastagem como fertilizante. São 25,5 km de gasodutos instalados. Quando estiverem em pleno funcionamento, o conjunto de propriedades irá gerar 820 m³ de biogás.

Parte do gás é usado na secagem de grãos, utilizados para a produção de ração. O uso nobre do biogás acontece depois de ele passar por um filtro que separa o metano do gás carbônico e do ácido sulfídrico. Ele chega com 70% de metano e sai com mais de 90%, podendo ir para a microcentral elétrica e gerar energia. A eletricidade é usada nas propriedades e o excedente é vendido para Copel. Assim, os produtores ganham com fertilizante, energia e créditos de carbono. (Informações de Itaipu Binacional

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

TSE adquire Kits para implementar biometria em todo o país

Coleta das impressões digitais.

Diante da necessidade de intensificar o projeto de identificação biométrica do eleitorado, que em 2012 alcançará cerca de 10 milhões de brasileiros, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adquiriu mais 2.550 Kits Biométricos, conjunto de equipamentos utilizados para coleta das impressões digitais e atualização dos dados cadastrais dos votantes junto à Justiça Eleitoral. A aquisição dos kits ocorre por meio de contrato assinado entre o Tribunal e a empresa Akiyama Indústria e Comércio de Equipamentos Eletrônicos e Sistemas Ltda., vencedora de licitação iniciada em 2010 e concluída no final do ano passado para esta finalidade.

Os Kits destinam-se à realização do cadastramento ordinário dos eleitores de todo o país, ou seja, aqueles que procurarem o cartório eleitoral para tirar o título pela primeira vez já terão seus dados biométricos coletados, tornando-se aptos a serem identificados pelas impressões digitais nos pleitos realizados pela Justiça Eleitoral. A medida, que é fruto de acordo entre o TSE e os 27 tribunais regionais eleitorais (TREs), reduzirá o custo do projeto de identificação biométrica e evitará a formação de filas e transtornos aos eleitores no momento da coleta das digitais, dotando cada cartório eleitoral com um Kit Bio.

O Contrato nº 131/2011, assinado no dia 28 de dezembro último, teve por objeto a aquisição de 2.476 kits Biométricos e a prestação de serviço de integração e configuração dos equipamentos, com garantia técnica de, no mínimo, 12 meses. No entanto, a aquisição de outros 74 kits foi incluída em um termo aditivo ao contrato, assinado no dia 31 do mesmo mês, totalizando a compra de 2.550 Kits Bio.

2010 e 2011

Em 2010, o TSE lançou edital dando início à licitação para a compra dos equipamentos. Todavia, devido a impugnações de empresas concorrentes, o processo licitatório foi interrompido por diversas vezes, sendo que os requisitos apontados pelo TSE no referido edital foram objeto de análise e aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em mais de uma oportunidade.

O TSE adotou medidas para agilizar a conclusão do procedimento no ano de 2010. Entretanto, as interrupções ocasionadas pelas impugnações das empresas levaram o Tribunal a devolver R$ 30 milhões do orçamento disponível para aquele ano ao Ministério do Planejamento.

Depois de analisar todos os questionamentos, e resondê-los com base em pareceres do Instituto Nacional de Identificação, a Corte Eleitoral deu prosseguimento, já em 2011, à licitação com a republicação do edital. A licitação foi realizada na modalidade de ata de registro de preços. A empresa Akiyama foi a escolhida por ter preenchido todas as especificações e condições constantes do Edital nº 121/2011.

O custo total empreendido pelo TSE para a aquisição dos novos Kits será de R$ 27.915.780,00, valor menor que o estimado inicialmente, que era de R$ 29,5 milhões, tendo a empresa vencedora apresentado o menor preço.

Kit Bio

O chamado Kit Bio é composto de: leitor óptico de impressões digitais; dispositivo de capturas de imagens digitais (foto); flash externo; maleta de transporte e cenário (miniestúdio fotográfico com assento). Com a aquisição de novos equipamentos, a Justiça Eleitoral contará com 4.925 kits ao todo.

Por meio do Kit Bio, a equipe treinada da Justiça Eleitoral realiza a coleta das impressões digitais, além de fazer a fotografia dos eleitores de maneira rápida e fácil, sem grandes dificuldades de manuseio. O scanner de altíssima resolução, por sua vez, permite uma leitura de qualidade das impressões digitais, e um programa de computador faz o controle de qualidade automaticamente.

Mais informações sobre a Biometria na Justiça Eleitoral podem ser obtidas no site:  www.tse.jus.br/biometria.

Fonte: TSE



TSE promove 2ª edição dos testes de segurança no sistema eletrônico de votação

Urna Eletrônica


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no intuito de dar ainda mais transparência ao processo eleitoral e comprovar sua confiabilidade e segurança, promoverá de 20 a 22 de março a 2ª Edição dos Testes Públicos de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação. Os participantes do evento terão a oportunidade de tentar realizar “ataques” à urna eletrônica e seus componentes internos e externos, visando explorar eventuais falhas do sistema relacionadas à violação da integridade e ao sigilo do voto. As inscrições para participar dos testes deverão ser feitas de 2 a 17 de fevereiro no Portal do TSE.

Os testes contarão com, no máximo, 25 participantes divididos em até 10 grupos, e acontecerão na nova sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília-DF, das 9h às 18h, conforme previsto no Edital nº 01/2012. A grande novidade desta edição é a fase de preparação dos testes, que ocorrerá de 6 a 8 de março, na qual os participantes poderão configurar os sistemas que serão utilizados no teste e elaborar seus planos de testes.

Nesta etapa, eles terão acesso aos códigos-fonte dos sistemas eleitorais, o que, em teoria, poderá facilitar as tentativas de ataques à urna eletrônica modelo 2009, que serão utilizadas nas eleições 2012. Os códigos-fonte, dispostos em linguagem de programação, indicam a sequência de ações que o sistema tem de realizar, isto é, traduz para o computador como deve ser o funcionamento do sistema.

Também nesta fase de preparação os “investigadores” poderão fazer consultas na internet, em computadores que ficarão localizados em outra sala, de modo a oferecer o maior número de subsídios possível para a modificação e o aperfeiçoamento dos planos de testes. As propostas deverão ser encaminhadas à Comissão Avaliadora do evento até o dia 13 de março para avaliação e homologação dos planos de testes.

Além disso, ainda na fase de preparação, os participantes assistirão a uma palestra no dia 6 de março, na qual será explicado tecnicamente o funcionamento dos sistemas eleitorais. “Será dada uma visão geral de quais são as barreiras físicas e eletrônicas que o sistema já possui, de forma a clarificar um pouco para os interessados o funcionamento do sistema. O objetivo é que os inscritos não cheguem aos testes sem ter tido antes um contato prévio com o sistema eleitoral”, resume Celio Wermelinger, integrante da Comissão Organizadora do evento e que participa da coordenação dos testes.

O evento tem o apoio do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade de Brasília (UnB). A primeira edição dos testes públicos de segurança foi realizada em 2009.

Os testes

Os testes de segurança contemplarão a segurança do sistema eletrônico de votação respeitando os procedimentos previstos nas normas aplicáveis e considerando os seguintes elementos e componentes da urna eletrônica: processo de carga da urna; hardware; lacre físico; dispositivos de logística que protegem a urna; mídias eletrônicas; conteúdo das mídias de dados; e software de votação utilizado na seção eleitoral.

O evento será acompanhado pelas comissões Avaliadora e Disciplinadora e também por observadores das áreas de Tecnologia da Informação e Segurança da Informação. Todo o ambiente aonde acontecerão os testes será monitorado por câmeras, e o acesso à internet nos três dias de teste será supervisionado pela Comissão Disciplinadora. Os testes serão coordenados pelo presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski.

Os resultados e as conclusões dos testes serão apresentados em audiência pública no dia 29 de março, às 10h, também na sede do TSE. Os investigadores que efetivamente tiverem participado do evento receberão certificados de participação, mas não haverá premiação em dinheiro. As sugestões de melhorias encontradas poderão ser implementadas futuramente no sistema.

1ª edição

A primeira edição dos testes públicos de segurança aconteceu de 10 a 13 de novembro de 2009 e contou com a participação de 37 investigadores. Nenhum deles conseguiu burlar o sistema eletrônico de votação, mas o TSE premiou a melhor tentativa de ataque à urna.

O vencedor, o especialista em Tecnologia da Informação Sérgio Freitas, tentou violar o sigilo do voto por meio da captação de ondas eletromagnéticas emitidas pelas teclas da urna durante a digitação, mas o teste não obteve sucesso. Apenas a ideia dele foi aproveitada e, diante disso, o TSE apresentou sugestões de contorno para o que ele propôs de possibilidade de um ataque.

O vencedor dos testes foi o especialista em Tecnologia da Informação Sérgio Freitas, que tentou violar o sigilo do voto por meio da captação de ondas eletromagnéticas emitidas pelas teclas da urna durante a digitação. Mas, o teste não obteve sucesso. O aparelho de rádio utilizado pelo investigador somente conseguiu captar essa radiação a uma distância de cinco centímetros da urna eletrônica, o que na prática torna inviável a violação, porque a urna instalada na seção eleitoral fica necessariamente isolada e sob vigilância.

Para comprovar a impossibilidade de violação das urnas eletrônicas, em 2010, o TSE submeteu duas urnas eletrônicas do modelo 2009 à avaliação do INPE, que realizou uma bateria de testes de emissão eletromagnética e ruídos nos equipamentos. Os resultados foram todos satisfatórios e o INPE atestou que a urna UE2009 atende às normas nacionais e internacionais de emissão eletromagnética, como a NBR/IEC 61000, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Mais informações sobre o sistema eletrônico de votação podem ser obtidas no site:  http://www.tse.jus.br/eleicoes/biometria-e-urna-eletronica

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral - TSE

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Participação da sociedade civil na Rio+20 é prioridade

Acessibilidade e mobilidade estarão asseguradas em todos os locais do evento que acontece em junho deste ano.

A garantia de espaços qualificados para que a sociedade civil nacional e internacional esteja presente e atuante na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) é uma das prioridades do Comitê Nacional de Organização (CNO). Eventos paralelos, acesso à internet, estandes para organizações, medidas para viabilizar transporte e mobilidade, estrutura com acessibilidade para pessoas com deficiência são algumas das condições criadas para que milhares de pessoas da sociedade civil sejam credenciadas e participem do evento.

“A participação da sociedade civil é uma prioridade para o Comitê Nacional. É muito importante garantir a presença das pessoas na Rio+20, inclusive para influenciar as decisões governamentais. O governo brasileiro e a ONU querem a maior participação possível”, afirma o secretário nacional do CNO, Laudemar Aguiar. O secretário também lembra que, tradicionalmente, o Brasil inclui participantes da sociedade civil na delegação oficial.

Espaços - Pela primeira vez, há mais de um local destinado para indivíduos e organizações, em locais como o Autódromo de Jacarepaguá, o HSBC Arena e outros próximos ao Rio-Centro, onde trabalharão os representantes dos 193 Estados-membros da ONU. Em todos os espaços está previsto acesso à internet e, ainda em relação à conectividade, será facilitada e estimulada a veiculação de informações nas redes sociais para que a juventude acompanhe, mesmo que remotamente, a Rio+20.

O CNO também ressalta as ações para assegurar a acessibilidade e a mobilidade em todos os locais do evento. “Será uma Conferência verdadeiramente inclusiva, com a participação de todos, e as pessoas com deficiência não podem ser excluídas. Levamos em conta deficiências motoras, visuais, auditivas e dificuldades de transportes de todas as pessoas”, afirma Aguiar. O planejamento e a execução dessas ações são em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e o Conselho Nacional de Pessoas com Deficiência.

A preocupação está alinhada com as diretrizes do sistema das Nações Unidas, que identifica e abre espaço para os chamados “grupos principais”, que são organizações não governamentais, grupos empresariais, comunidades indígenas, autoridades locais, organizações de agricultores, grupos de crianças e jovens, trabalhadores e sindicatos, entidades de mulheres e a comunidade científica e tecnológica.

Conferência acontece de 13 a 22 de junho

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável acontece no Rio de Janeiro entre 13 e 22 de junho de 2012. É uma oportunidade para renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões anteriores. São dois temas principais: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Como participar?

Organizações: a participação na Rio+20 depende de registro da organização junto à ONU. Há uma lista de organizações que possuem status consultivo no ECOSOC - Conselho Econômico e Social. As organizações que participaram de outras conferências estão automaticamente credenciadas. O credenciamento das delegações oficiais, de representantes da sociedade civil e da imprensa está a cargo da ONU.

Indivíduos: qualquer pessoa pode enviar sugestões, divulgar informações, opinar, escrevendo em alguma das línguas oficiais da ONU (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês, russo) para o email: uncsd2012@un.org.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Micro e pequenos empresários recebem 36% dos R$ 139,7 bilhões emprestados pelo BNDES em 2011

Banco tem recorde de 896 mil operações no ano



Os micro e pequenos empresários (MPMEs) receberam R$ 49,8 bilhões em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2011 - volume que representa 36% do total emprestado pelo banco no ano (R$ 139,7 bilhões). De acordo com o balanço divulgado na quarta-feira (18), o número de operações foi recorde: 896 mil financiamentos, 47% mais do que em 2010.

O Cartão BNDES foi um dos fatores que impulsionaram o crescimento de 9% da participação das MPMEs (Veja gráfico). Além do aumento de 76% na movimentação em relação a 2010, o volume de R$ 7,6 bilhões emprestados foi possível devido à ampliação da cobertura. Em 2005, o cartão era usado em 286 cidades (5,14% do total) e, desde 2010, ele passou a ser aceito em 4.843 municípios (87%).

Nordeste - A política de descentralização geográfica do crédito permitiu que as regiões Norte e Nordeste respondessem por 22% dos desembolsos totais do banco, uma alta em relação aos 17% de 2010. A participação das duas regiões no desembolso do BNDES está em linha com sua contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Estratégia - A ênfase nos financiamentos de máquinas e equipamentos para empresas de todos os portes se manteve com o Programa de Sustentação do Investimento (BNDES PSI). Em 2011, os desembolsos do programa, que tem prazo de vigência até dezembro de 2012, somaram R$ 42,5 bilhões.

A atuação do BNDES em 2011 ajudou o País a manter a expansão dos investimentos acima do crescimento do PIB, permitindo que o Brasil crescesse sem a ocorrência de gargalos e pressões inflacionárias, na análise do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

O desempenho de 2011 refletiu as medidas adotadas no ano passado, quando o banco alterou as taxas de juros do Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES PSI), reduziu seu nível de participação sobre o total dos financiamentos e suprimiu linhas de capital giro que haviam sido criadas no momento mais agudo da crise financeira internacional. Com isso, o BNDES busca ampliar o espaço para que cresça a atuação do setor financeiro privado na concessão de crédito de longo prazo às empresas.

Efeito Petrobras - O total emprestado em 2011 é 17% menor do que os R$ 168,4 bilhões de 2010, porém, essa queda não representa uma redução da atuação do banco. Isso porque, ao subtrair os R$ 24,7 bilhões aplicados pelo BNDES na capitalização da Petrobras em 2010, o movimento nos dois anos fica no mesmo patamar, em torno dos R$ 140 bilhões.

A operação feita com a estatal de petróleo também teve impacto estatístico sobre os outros indicadores do BNDES, na comparação com 2011. As consultas por financiamentos do Banco encerraram o ano em nível elevado, de R$ 195,2 bilhões, embora tenham recuado 24% na comparação com 2010. As aprovações ficaram em R$ 164,5 bilhões, o que representou uma queda de 18%.

Infraestrutura concentra 40% das liberações

O setor de infraestrutura liderou os desembolsos do BNDES em 2011, com R$ 56,1 bilhões ou 40% do total. Os montantes mais significativos foram para transporte rodoviário, com R$ 26 bilhões, e energia elétrica, com R$ 15,9 bilhões.

Para a indústria foram liberados R$ 43,8 bilhões (participação de 32%), com ênfase em material de transporte (R$ 8,2 bilhões), química e petroquímica (R$ 7,1 bilhões), alimentos e bebidas (R$ 6,8 bilhões) e indústria mecânica (R$ 4,5 bilhões).

Para comércio e serviços, o BNDES destinou R$ 29,2 bilhões (21% do total) e à agropecuária, R$ 9,8 bilhões (7%).

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

RIQUEZA NO FUNDO DO MAR

O Brasil se prepara para explorar minérios no fundo do oceano Atlântico, em águas internacionais. O feito é inédito em dois aspectos. Nunca o País se aventurou a explorar riquezas minerais (exceto petróleo) em solo tão profundo, a até 6.000 metros abaixo do nível do mar. O País também nunca reivindicou à comunidade internacional direitos em área tão afastada da plataforma continental brasileira, que tem largura média de 320 quilômetros a partir da costa. A CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) enviou quatro expedições para o Alto do Rio Grande, cordilheira a mais de mil quilômetros da costa de Santa Catarina. A quarta embarcação enviada a essa cadeia de montanhas no Atlântico voltou ao Rio ontem. Estudos mostram que a região tem cobalto, níquel, manganês, fosfato, gás metano e até minérios mais raros, como o lítio, usado na indústria de alta tecnologia. O governo trabalha com a hipótese de desenvolver atividades comerciais daqui a dez anos.

Fonte: Folhaonline/Redação

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Livro "A Privataria Tucana" mostra como país perdeu com privatizações


Para quem ainda acredita que as privatizações trouxeram algum ganho para o Brasil, aí vai uma conta bem simples. O governo FHC afirma ter arrecadado R$ 85,2 bilhões com a venda das empresas públicas. O país, no entanto, pagou R$ 87,6 bilhões para as empresas que assumiram esse patrimônio público. Isso mesmo: gastou R$ 2,4 bilhões a mais do que alegou receber.

A conta, feita à época das privatizações pelo jornalista Aloysio Biondi, está no livro A Privataria Tucana, lançado na sexta-feira 9/11/2011, pelo jornalista Amaury Ribeiro, e com a primeira edição de 15 mil exemplares já esgotada no sábado 10/11/2011.

O prejuízo, que Biondi anunciava de forma corajosa, muitas vezes por intermédio da Folha Bancária e da Revista dos Bancários (hoje Revista do Brasil), veio do fato de que para vender as estatais, o governo absorveu as dívidas dessas empresas, promoveu milhares de demissões, emprestou dinheiro público via BNDES aos compradores e ainda aceitou a utilização de "moedas podres", ou seja, títulos do próprio governo que valiam metade de seu valor de face, como parte do pagamento.

O resultado é essa conta que dilapidou o patrimônio do país. Mas, se o Brasil não ganhou, então por que as privatizações foram feitas? Porque muita gente ganhou.

Quem ganhou?

Aí é que residem as grandes revelações do livro-denúncia de Amaury Ribeiro, um premiado jornalista investigativo, que trouxe histórias, factuais e documentadas, dos crimes obscurecidos pelo processo de privatização. O livro, da Geração Editorial, tem 320 páginas: 200 de texto jornalístico da melhor qualidade e 120 de reproduções de documentos e provas.

Alguns personagens são bem conhecidos. Além do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do seu ministro do Planejamento, José Serra, há o "chefe da lavanderia do tucanato", conforme define o autor, o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, apontado como "artesão" dos consórcios da privatização das telecomunicações no país.

A "costura" feita por Ricardo Sérgio envolvia o pagamento de propina dos empresários interessados em participar dos consórcios de privatização. O dinheiro dessas propinas era, então, "lavado" em operações que envolviam empresas "offshore" - criadas em paraísos fiscais.

Abrindo empresas desse tipo, para limpar o dinheiro sujo que saía do país, a família de José Serra deu uma mãozinha à "privataria tucana", principalmente o genro e a filha, Verônica Serra. E, ainda de acordo com o apurado por Amaury Ribeiro, todos eles enriqueceram muito após o processo de privatizações do final de década de 1990.

BB e Caixa

A ordem de FHC era: "vender tudo o que der para vender". Para privatizar as estatais, o governo federal promoveu um verdadeiro desmonte das empresas públicas, fazendo-as parecer, ainda mais inoperantes do que realmente eram.

E assim quase foram pelo ralo da privatização e da corrupção tucana o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Amaury relata que "o Memorando de Política Econômica, de 9 de março de 1999, no alvorecer do segundo mandato de FHC, descreve (...) no item 18 a venda de componentes estratégicos" desses bancos ou a transformação das duas instituições em "bancos de segunda linha".

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de são Paulo, Juvandia Moreira, o livro de Amaury Ribeiro prova a importância do combate do movimento sindical ao processo de privatização promovido pelos governos federal e estaduais do PSDB.

"Esse é um Brasil que felizmente estamos deixando para trás. O país que era para poucos, no qual dilapidar o patrimônio público em nome de uma suposta modernidade era algo visto como correto. O fato de a velha imprensa não dar nenhuma repercussão a essas graves denúncias é uma forma de mostrar sua parcialidade. E um sinal de que seu moralismo seletivo está a serviço de fazer o país voltar a um tempo que a maioria da população não deseja ver de volta", afirma.

"Esperamos que o Ministério Público e a Polícia Federal tomem providências para investigar todas as denúncias feitas nesse livro e retomar para os cofres públicos qualquer dinheiro desviado", completa a dirigente.

Fonte: Seeb-SP

Criado por: Marcos Paulo