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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A perda do professor Fernando Amorim



Faleceu na noite de quinta feira o camarada Fernando Antônio Sampaio de Amorim. Professor da UFRJ há 32 anos, lotado no Programa de Engenharia Naval da Coppe e membro do PCdoB desde março de 2001 onde foi membro da direção do Comitê Municipal do Rio de Janeiro.


Camarada Professor Fernando Amorim
Foi diretor da Associação Nacional de Docentes – ANDES; da Associação dos Docentes da UFRJ – ADUFRJ e atualmente era Vice Presidente do PROIFES-Federação e Presidente do PROIFES e representava os professores do Centro de Tecnologia da UFRJ no Conselho Universitário.

Foi também Pró-Reitor de Patrimônio e Finanças da gestão do comunista Horácio Macedo de 1985-1989, histórica reitoria que abriu as portas da universidade para atividades de extensão em toda a Comunidade da Maré.

Ao lado dessa intensa atividade sindical e na frente institucional, defendeu em 1987 seu doutorado e nos últimos oitos anos teve uma intensa atividade acadêmica voltada para atividades de extensão universitária e educativas voltadas para as áreas da engenharia naval. Foi o coordenador do Curso de Qualificação de Técnicos para a Indústria Naval (Tec-Naval) que iniciou a sua trajetória em 2007, quando um grupo de professores da UFRJ percebeu a necessidade de formar técnicos para atuar na indústria naval. Os estaleiros, após 10 anos fechados ou com pouca atividade, voltaram a crescer no Estado do Rio de Janeiro e ocorria problemas relacionados na falta de mão de obra qualificada. Esse curso que vigora até a presente data trabalha com a noção que educação para o trabalho ainda é um grande desafio para os educadores no Brasil. O curso rompe com a prisão das grades curriculares, das disciplinas estreitas — que não conseguem dar conta da complexidade do mundo do trabalho, nem da complexidade dos currículos tradicionais.

Em Macaé, ele implantou o Colégio Municipal de Pescadores. Curso formado por filhos de pescadores que recuperava toda a cadeia de produção de barcos de madeira que hoje está praticamente extinta em nosso país. Fruto de grande repercussão desse trabalho, mais tarde fundou o Colégio Politécnico da UFRJ em na cidade de Cabo Frio que começou suas atividades em 2008 com duas turmas de 6º ano e duas turmas de 1ª série do ensino médio.

Este primeiro ano de atividades teve como objetivo principal formar a equipe de professores e desenvolver a metodologia de ensino e aprendizagem, inteiramente baseada em projetos, com nova configuração da organização dos conteúdos. As metodologias que estão sendo desenvolvidas estão centradas nas atividades dos alunos. Pretende-se através da educação pelo trabalho criar uma abordagem politécnica e interdisciplinar.

Anualmente ele coordenava dois festivais voltados para o Mar nas cidades de Macaé, Búzios, Arraial do Cabo e Paraty. O último, em novembro de 2011, realizou-se na Praça da Matriz, na cidade de Paraty, a Festa do Mar e do Sol. Em sua segunda edição na cidade, foi também a segunda vez em que o evento aconteceu paralelamente ao Desafio Solar Brasil. A festa que é organizada pelo Museu da Ciência e da Cultura do Mar – Museu do Mar, (um projeto do Núcleo Interdisciplinar UFRJMar), contou com mais de quinze oficinas, dentre elas algumas que foram desenvolvidas fora da tenda principal (como, por exemplo, a oficina de Mergulho que funcionou em parceria com a oficina de Biologia sobre a Vida Marinha). Os eventos do UFMar levavam oficinas de várias unidades da UFRJ tendo o mar como tema principal.

Hoje no velório de Fernando toda a Reitoria, os decanos, diretores de diversas unidades, ex e atuais alunos das várias atividades que ele coordenou estiveram na Praia Vermelha para prestar homenagens ao grande batalhador da educação como inclusão social que foi Fernando Amorim.

Ao lado do seu caixão estavam as bandeiras da UNE, do PCdoB e da UFRJ.

Fernando era casado com a Professora Eleonora Ziller Camenietzki que hoje dirige a Faculdade de Letras da UFRJ, tinha cinco filhos . Na sua despedida Daniel Iliescu (presidente da UNE) se dirigiu aos jovens presentes e disse que todos ali eram os filhos do Fernando que ele formou ao longo desses anos e esse era o grande legado. Disse do seu último encontro com Fernando quando a UNE ocupou Brasília pela aprovação dos 10% da educação no PNE e Fernando como dirigente do PROIFS estava junto com eles. Flavia Calé (Presidente da UJS) falou de como ele mostrou que na prática os projetos podem fazer mudanças profundas na estrutura elitista da universidade. Falou das lutas de Fernando pela expansão de vagas das universidades e a democratização do seu acesso.

A camarada Ana Rocha (Presidente Estadual do PCdoB) falou que ele era alguém que lutava pelo que acreditava de peito aberto. Um camarada firme e intransigente nas suas convicções do socialismo. Será sempre lembrado pelo seu sorriso e a maneira ativa e combativa de lutar e de defender suas ideias.

O Professor Carlos Levi (Reitor da UFRJ) disse que era com muita tristeza que recebemos a notícia do súbito falecimento do professor Fernando

Amorim, figura com atuação marcante e intensa na história da UFRJ, como demonstram as inúmeras funções que desempenhou e diferentes projetos e atividades que liderou ao longo de sua trajetória em nossa universidade. Disse que acompanhou a vida profissional do professor Fernando desde seu tempo de aluno de Engenharia Naval e depois como colega de Departamento. Conheci, portanto, desde cedo, a combatividade de suas convicções e ideias.

Sua perda acontece num momento em que a UFRJ mal se recupera da despedida do nosso ex-reitor, Aloísio Teixeira, agravando ainda mais nossos sentimentos de luto e pesar. Ficam suas lembranças e muitas saudades com a família, amigos, companheiros de trabalho e alunos

Ao final os presentes cantaram a Internacional ao som do violonista Eduardo Camenietzki da Escola de Musica da UFRJ e aplaudiram longamente. A professora Eleonora Ziller encerrou a cerimônia, agradecendo a presença de todos dizendo que em breve iremos passear com os barcos de Fernando na Baía de Guanabara para jogar suas cinzas e fez a chamada dos outros comunistas que faleceram na luta pela universidade ao lado de Fernando: Aloisio Teixeira , Samira Mesquita e Horacio Macedo.
 

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