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domingo, 29 de agosto de 2010

Briga acirrada até a reta final

Disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado está indefinida: de cada quatro eleitores, três não sabem em quem votar.


A pouco mais de 30 dias para as eleições, a disputa pelas duas vagas no Senado continua aberta e pode só ser decidida na reta final da campanha, ou mesmo no dia da eleição, graças à boca de urna. Segundo pesquisa do Instituto Informa encomendada pela TV Record e divulgada quarta-feira, 74% do eleitorado do Rio ainda não sabem em quem votar. O resultado diz respeito à consulta espontânea, em que o entrevistado não tem acesso aos nomes dos candidatos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 71.437/2010.


Embora o senador Marcelo Crivella (PRB) e o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) liderem a corrida desde o início da campanha, especialistas acreditam que o quadro ainda pode mudar radicalmente. Na pesquisa, Crivella aparece com 39,1% das intenções de voto, enquanto Cesar tem 35,5%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, ambos estão em situação de empate técnico. O ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT) tem 19,8% e o deputado estadual Jorge Picciani (PMDB) soma 12,8% das intenções de voto.

"Tradicionalmente, as eleições para o Legislativo se definem nos últimos dias de campanha. O eleitor só dá alguma atenção aos candidatos do Executivo, pois está mais preocupado com o cotidiano, as contas a pagar, a escola do filho”, opina o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro. Embora estejam bem atrás, Lindberg e Picciani não podem ser desprezados, por terem apoios políticos poderosos em suas candidaturas.

“Lindberg deixa subentendido que batalha pelo segundo voto e se vende como candidato da convergência, apoiado por Lula, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, mas pode enfrentar resistência por ser jovem. O eleitor associa o Senado a uma casa de gente experiente”, diz o sociólogo Fábio Gomes, diretor do Informa.

Cesar tem a maior rejeição e Picciani a menor

Ainda segundo Fábio Gomes, Picciani enfrenta a pesada concorrência de um senador e dois ex-prefeitos, sem nunca ter disputado eleição majoritária, o que dificulta sua ascensão. A seu favor, ele tem a baixa rejeição — de apenas 5%, contra 11,4% de Crivella, 13,5% de Lindberg e 20,1% de Cesar Maia, o mais rejeitado entre todos os candidatos — e o apoio do governador Sérgio Cabral. “O engajamento de Cabral, que está prestes a bater o recorde de votos numa eleição no estado, pode ajudar a virar o jogo. Historicamente, a máquina do governo do estado elege pelo menos um senador”, diz Gomes.

Outra peculiaridade da eleição para o Senado que prejudica os concorrentes é o desconhecimento das funções de um senador. Tanto Monteiro quanto Gomes sustentam que esse desinteresse atrapalha os candidatos. “Em geral, as pessoas não sabem para que serve o Senado, daí o desinteresse pela campanha”, explica Gomes.

“É difícil encontrar um eleitor que saiba explicar o que faz um senador”, reforça Monteiro, para quem a única coisa que os candidatos podem fazer para reverter esse quadro é dar mais visibilidade à campanha.


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